Câncer de Colo Uterino: Diagnóstico de Lesões Suspeitas

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 40 anos, casada, G5P5, IMC=27,0; Método contraceptivo = laqueadura tubária, procura serviço médico com queixa de sinusorragia, sangramento uterino anormal e corrimento vaginal fétido que iniciaram há 06 meses. É portadora de diabetes mellitus e hipertensão arterial. O exame físico ginecológico com introdução de espéculo mostrou sangramento vaginal moderado e presença de tumor vegetante atingindo até terço inferior da vagina. Baseado nesses dados, escolha a opção que traz a conduta mais adequada para o caso.

Alternativas

  1. A) Solicitar ultrassonografia transvaginal para investigação inicial do sangramento uterino anormal.
  2. B) Paciente de alto risco para câncer do endométrio - solicitar histeroscopia diagnóstica.
  3. C) Prescrever ácido tranexâmico IM para cessar o sangramento e em seguida realizar exame de papanicolau para adequada avaliação do colo uterino.
  4. D) Realizar biópsia da lesão vaginal.
  5. E) Solicitar Tomografia Computadorizada de pelve para estadiamento do tumor.

Pérola Clínica

Sinusorragia + sangramento anormal + tumor vegetante vaginal → alta suspeita câncer cervical → biópsia imediata.

Resumo-Chave

A presença de sinusorragia, sangramento uterino anormal e, principalmente, um tumor vegetante visível no exame especular são sinais de alerta para câncer de colo uterino avançado. Nesses casos, a biópsia da lesão é a conduta prioritária para confirmar o diagnóstico histopatológico e guiar o estadiamento e tratamento.

Contexto Educacional

O câncer de colo uterino é uma das neoplasias ginecológicas mais comuns, especialmente em países em desenvolvimento. Sua etiologia está fortemente associada à infecção persistente por subtipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV). A apresentação clínica em estágios avançados frequentemente inclui sintomas como sinusorragia, sangramento uterino anormal (metrorragia) e corrimento vaginal fétido, que indicam a progressão da doença. No caso apresentado, a paciente com 40 anos, G5P5, e queixas de sinusorragia, sangramento uterino anormal e corrimento fétido há 6 meses, associadas à presença de um tumor vegetante que atinge o terço inferior da vagina, tem um quadro clínico altamente sugestivo de câncer de colo uterino avançado. A laqueadura tubária e o IMC não são fatores de risco diretos para câncer de colo, mas o diabetes e hipertensão são comorbidades importantes para o manejo geral. Diante de uma lesão macroscópica suspeita, a conduta mais adequada e prioritária é a realização de uma biópsia da lesão vaginal. Este procedimento permitirá a confirmação histopatológica do diagnóstico de câncer, essencial para o planejamento do estadiamento e do tratamento subsequente, que pode incluir cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia. Exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia são importantes para o estadiamento, mas só devem ser solicitados após a confirmação histopatológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para câncer de colo uterino avançado?

Sinais como sinusorragia (sangramento após relação sexual), sangramento uterino anormal intermenstrual ou pós-menopausa, e corrimento vaginal fétido ou sanguinolento são indicativos de câncer cervical, especialmente se houver lesão visível.

Por que a biópsia é a conduta mais adequada neste caso?

A biópsia da lesão é crucial para obter a confirmação histopatológica do câncer, determinar o tipo histológico e o grau de diferenciação, informações essenciais para o planejamento do estadiamento e tratamento.

Qual o papel da ultrassonografia ou Papanicolau diante de um tumor vegetante?

Em presença de um tumor vegetante visível, a ultrassonografia e o Papanicolau são exames complementares, mas não substituem a biópsia. O Papanicolau pode ser alterado, mas a biópsia é o padrão ouro para o diagnóstico definitivo da lesão macroscópica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo