UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019
Paciente de 47 anos, proveniente de São Raimundo Nonato-PI, refere sinusorragia há 5 meses. Ciclos pouco irregulares nos últimos 3 meses com sangramento persistente em menor intensidade, logo após a menstruação. Refere ainda leucorreia amarelada de odor fétido. Menarca aos 12 anos. Sexarca aos 15 anos. G8 P6 (N) A2. Laqueadura tubária aos 30 anos. Última citologia oncótica há 7 anos. Exame especular: lesão exofítica sangrante ao toque da espátula. Toque: útero pouco aumentado de volume, móvel, algo doloroso, lesão endurecida em topografia de colo, que se estende aos fórnices vaginais e atinge paramétrio lateral direito. Sangramento aumentado, logo após o exame ginecológico.Assinale a alternativa CORRETA sobre o caso descrito:
Câncer de colo uterino com acometimento paramétrico (Estádio IIB) → biópsia para confirmação e tratamento com quimiorradioterapia.
O quadro clínico, incluindo sinusorragia, leucorreia fétida, lesão exofítica e, crucialmente, o acometimento do paramétrio lateral direito ao toque, indica um câncer de colo uterino em estágio avançado (Estádio IIB). Nesses casos, o tratamento primário é a quimiorradioterapia, e o estadiamento é clínico.
O câncer de colo uterino é uma neoplasia maligna que se origina no colo do útero, sendo o Papilomavírus Humano (HPV) o principal agente etiológico. É a quarta causa mais comum de câncer em mulheres no mundo. A detecção precoce através do rastreamento citopatológico (Papanicolau) é fundamental para identificar lesões pré-malignas e câncer em estágios iniciais, melhorando significativamente o prognóstico. A paciente do caso apresenta sintomas clássicos de doença avançada, como sinusorragia e leucorreia fétida, além de uma lesão exofítica sangrante. O achado mais crítico é o acometimento do paramétrio lateral direito ao toque, que classifica a doença como Estádio IIB de acordo com a FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia). O estadiamento do câncer de colo é predominantemente clínico, não cirúrgico, para estágios localmente avançados. Para o Estádio IIB, o tratamento padrão é a quimiorradioterapia concomitante, que consiste em radioterapia externa pélvica, braquiterapia (radioterapia interna) e quimioterapia à base de cisplatina como sensibilizante. A biópsia do colo uterino é indispensável para a confirmação histopatológica do diagnóstico antes de iniciar qualquer tratamento oncológico. A histerectomia radical (Wertheim-Meigs) é reservada para estágios iniciais (IA2, IB1, IB2, IIA1) sem acometimento paramétrico.
Os sinais e sintomas incluem sangramento vaginal anormal (sinusorragia, sangramento pós-coito), leucorreia fétida, dor pélvica, e, em estágios avançados, sintomas urinários ou intestinais devido à compressão ou invasão.
O estadiamento do câncer de colo uterino é clínico, baseado na classificação FIGO. O acometimento paramétrico unilateral ou bilateral (sem atingir a parede pélvica) classifica a doença como Estádio IIB, indicando doença localmente avançada.
Para o câncer de colo uterino em Estádio IIB, o tratamento de escolha é a quimiorradioterapia concomitante, que combina radioterapia externa e braquiterapia com quimioterapia sensibilizante (geralmente cisplatina).
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