Câncer de Colo Uterino: Diagnóstico e Conduta Inicial

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente, 40 anos, história de metrorragias e anemia. MAC: progesterona injetável. Refere exame citológico com diagnóstico de HPV há 3 anos, mas não sabe detalhar. Ao exame físico, hipocorada, abdome flácido e indolor, ausência de visceromegalias e, ao exame especular, uma massa necro-hemorrágica na topografia do colo, toque de difícil avaliação, massa endurecida e fixa. Qual a alternativa mais adequada ao caso?

Alternativas

  1. A) Hipótese de câncer de colo uterino, indicação de biópsia da lesão.
  2. B) Hipótese de condiloma acuminado no colo uterino, colher a citologia e indicado cauterização.
  3. C) Hipótese de câncer de colo uterino, indicado colher uma nova citologia.
  4. D) Hipótese de câncer de colo uterino, indicado conização.
  5. E) Hipótese de câncer de endométrio, indicado histeroscopia.

Pérola Clínica

Massa necro-hemorrágica fixa no colo + metrorragia + HPV → Alta suspeita de câncer cervical → Biópsia urgente.

Resumo-Chave

A presença de metrorragia e uma massa endurecida, fixa e necro-hemorrágica no colo uterino, especialmente em paciente com histórico de HPV, é altamente sugestiva de câncer cervical avançado. A biópsia é o próximo passo diagnóstico mandatório para confirmação histopatológica.

Contexto Educacional

O câncer de colo uterino é uma neoplasia maligna que se desenvolve no colo do útero, sendo quase que invariavelmente associado à infecção persistente por tipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV). No Brasil, ainda representa um grave problema de saúde pública, sendo o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres, excluindo o câncer de pele não melanoma. A detecção precoce através do rastreamento citopatológico (Papanicolau) é fundamental para identificar lesões precursoras e evitar a progressão para o câncer invasivo. No caso apresentado, a paciente exibe um quadro clínico altamente sugestivo de câncer de colo uterino avançado: metrorragia (sangramento uterino anormal), anemia secundária e, mais importante, uma massa necro-hemorrágica endurecida e fixa no colo uterino, com histórico de HPV. Esses achados indicam uma lesão macroscópica que já ultrapassou os estágios iniciais. Nesses casos, a prioridade diagnóstica não é repetir a citologia ou realizar uma conização (que é um procedimento terapêutico/diagnóstico para lesões menores), mas sim obter uma confirmação histopatológica. Portanto, a biópsia da lesão é o próximo passo mandatório e mais adequado. Ela permitirá confirmar o diagnóstico de câncer, determinar o tipo histológico e guiar o estadiamento e o plano de tratamento subsequente, que pode incluir cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de alerta e a sequência correta de investigação para garantir o manejo oportuno e eficaz dessas pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas de câncer de colo uterino avançado?

Os sintomas mais comuns incluem sangramento vaginal anormal (metrorragia, sangramento pós-coito), dor pélvica, corrimento vaginal fétido e, em casos avançados, sintomas urinários ou intestinais devido à compressão.

Qual o papel da biópsia no diagnóstico de câncer de colo uterino?

A biópsia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de câncer de colo uterino, fornecendo a confirmação histopatológica da lesão e permitindo a classificação do tipo histológico e grau de diferenciação.

Como o histórico de HPV se relaciona com o câncer de colo uterino?

A infecção persistente por tipos de alto risco do Papilomavírus Humano (HPV) é a principal causa do câncer de colo uterino. O HPV é responsável por quase 100% dos casos, tornando a vacinação e o rastreamento cruciais.

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