Câncer Cervical Microinvasor: Conduta Conservadora

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente 40 anos, nuligesta, submetida à exérese da zona de transformação do tipo 3, comparece para resultado de estudo anatomopatológico que revelou: lesão intraepitelial escamosa de alto grau com extensão para criptas endocervicais em todos os quadrantes, presença de área de invasão estromal 1.6 mm sem invasão linfovascular, margens cirúrgicas livres de neoplasia.Qual é a conduta mais adequada neste caso?

Alternativas

  1. A) Caso a paciente seja desejosa de gestação, é possível conduta conservadora com traquelectomia e histerectomia após prole completa.
  2. B) Caso a paciente seja desejosa de gestação, mesmo com doença invasora no produto da exérese, é possível manter controle rigoroso com citologia e colposcopia.
  3. C) Como a paciente tem idade avançada para gestação, com provável baixa reserva ovariana, e doença invasora, não se recomenda conduta conservadora.
  4. D) A conduta conservadora pode ser mantida se houver negativação do teste de DNA HPV, no primeiro controle, 6 meses após a exérese da zona de transformação.

Pérola Clínica

LIEAG com microinvasão (FIGO IA1) e margens livres, em paciente com desejo de gestação, permite conduta conservadora com seguimento rigoroso.

Resumo-Chave

Em casos de câncer cervical microinvasor (FIGO IA1, invasão estromal < 3mm, sem invasão linfovascular) com margens livres após conização, e desejo de gestação, a conduta pode ser conservadora com acompanhamento rigoroso, evitando histerectomia imediata.

Contexto Educacional

A Lesão Intraepitelial Escamosa de Alto Grau (LIEAG) com invasão estromal, mesmo que microinvasora, representa um desafio clínico, especialmente em mulheres jovens com desejo de gestação. A classificação FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) é crucial para guiar a conduta. O estágio IA1 é definido por uma invasão estromal de até 3 mm de profundidade e até 7 mm de extensão horizontal, sem invasão linfovascular. Nesses casos, a conização (exérese da zona de transformação) com margens livres é frequentemente curativa. A fisiopatologia do câncer cervical está intrinsecamente ligada à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco. O diagnóstico é feito por biópsia após achados suspeitos na colposcopia. A paciente do caso apresenta um câncer cervical microinvasor (1.6 mm de invasão), classificado como FIGO IA1. Com margens cirúrgicas livres e ausência de invasão linfovascular, a doença está bem controlada localmente. Para pacientes com desejo de gestação, a conduta conservadora é uma opção viável e segura, desde que haja um seguimento rigoroso. Este seguimento inclui citologias, colposcopias e testes de DNA HPV periódicos para monitorar qualquer sinal de recorrência ou doença residual. A histerectomia é reservada para casos de doença mais avançada, margens comprometidas ou para pacientes que não desejam mais gestar. A traquelectomia é uma opção para câncer cervical invasor em estágios iniciais, mas geralmente para invasões maiores que 3mm, e não para o cenário de microinvasão já tratada com conização e margens livres.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o câncer cervical microinvasor FIGO IA1?

O câncer cervical microinvasor FIGO IA1 é definido pela invasão estromal de até 3 mm de profundidade e até 7 mm de extensão horizontal, sem invasão linfovascular, permitindo condutas mais conservadoras.

Quando a conduta conservadora é apropriada em casos de câncer cervical microinvasor?

A conduta conservadora, como o seguimento rigoroso após conização com margens livres, é apropriada em pacientes com FIGO IA1 que desejam preservar a fertilidade, desde que haja adesão ao acompanhamento.

Quais são os riscos de uma conduta conservadora em LIEAG com microinvasão?

Os riscos incluem a possibilidade de doença residual ou recorrência, exigindo um seguimento rigoroso com citologia, colposcopia e teste de HPV para detecção precoce e intervenção, se necessário.

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