Câncer de Bexiga: Sinais, Fatores de Risco e Diagnóstico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um paciente com 68 anos, aposentado da fábrica de tintas, comparece à consulta de rotina com histórico de disúria, acompanhada de hematúria há 3 meses, além de antecedente pessoal de tabagismo desde os 20 anos de idade e 2 episódios de cistite tratados no último semestre. Ao exame físico, verificam-se: bom estado geral, abdome flácido, indolor; ausência de linfadenomegalias inguinais; e, ao toque retal: próstata sem nódulos, grau II, indolor. Diante desse caso, a hipótese diagnóstica mais provável e o(s) exame(s) diagnóstico(s) a ser(em) solicitado(s) são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) nefrolitíase; ressonância magnética com contraste.
  2. B) tumor de bexiga; cistoscopia ambulatorial com biópsia.
  3. C) adenocarcinoma prostático; ultrassonografia transretal.
  4. D) cistite hemorrágica; ultrassonografia e urografia excretora. 

Pérola Clínica

Hematúria macroscópica indolor + tabagismo + exposição ocupacional (tintas) → Alta suspeita de câncer de bexiga → Cistoscopia com biópsia.

Resumo-Chave

Hematúria macroscópica indolor, especialmente em idosos com história de tabagismo e exposição a carcinógenos ocupacionais (como anilinas em tintas), é um sinal de alerta para câncer de bexiga. A cistoscopia com biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo.

Contexto Educacional

O câncer de bexiga é uma neoplasia urológica comum, predominantemente do tipo carcinoma urotelial (ou de células transicionais). Sua incidência aumenta com a idade, sendo mais frequente em homens. Os fatores de risco são bem estabelecidos, com o tabagismo sendo o mais proeminente, responsável por cerca de metade dos casos. A exposição ocupacional a aminas aromáticas, encontradas em indústrias de tintas, borracha e produtos químicos, também é um fator de risco significativo, como no caso do paciente aposentado de fábrica de tintas. A detecção precoce é fundamental para um melhor prognóstico. O sintoma mais característico do câncer de bexiga é a hematúria macroscópica indolor e intermitente, presente em cerca de 85% dos pacientes. Outros sintomas irritativos vesicais, como disúria e polaciúria, podem ocorrer, mas são menos específicos. Diante de um paciente com hematúria, especialmente com fatores de risco como tabagismo e exposição ocupacional, a suspeita de câncer de bexiga deve ser alta, mesmo que haja histórico de cistites, que podem mascarar a causa real. O diagnóstico definitivo requer a visualização direta da bexiga e a obtenção de tecido para análise histopatológica. A cistoscopia ambulatorial com biópsia de qualquer lesão suspeita é o procedimento diagnóstico de escolha. Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem ser utilizados para estadiamento e avaliação do trato urinário superior, mas não substituem a cistoscopia para o diagnóstico primário da lesão vesical.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para câncer de bexiga?

Os principais fatores de risco para câncer de bexiga incluem tabagismo (o mais importante), exposição ocupacional a aminas aromáticas (indústria de tintas, borracha, couro), idade avançada, histórico de radioterapia pélvica e uso de certos medicamentos como ciclofosfamida.

Por que a hematúria indolor é um sinal de alerta para câncer de bexiga?

A hematúria macroscópica indolor é o sintoma mais comum e frequentemente o primeiro sinal de câncer de bexiga. Sua natureza indolor pode levar à subestimação, mas é um forte indicativo de malignidade urotelial e exige investigação imediata.

Qual o papel da cistoscopia no diagnóstico do câncer de bexiga?

A cistoscopia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de câncer de bexiga. Permite a visualização direta da mucosa vesical, identificação de lesões e realização de biópsias para confirmação histopatológica e estadiamento.

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