INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um paciente com 68 anos, aposentado da fábrica de tintas, comparece à consulta de rotina com histórico de disúria, acompanhada de hematúria há 3 meses, além de antecedente pessoal de tabagismo desde os 20 anos de idade e 2 episódios de cistite tratados no último semestre. Ao exame físico, verificam-se: bom estado geral, abdome flácido, indolor; ausência de linfadenomegalias inguinais; e, ao toque retal: próstata sem nódulos, grau II, indolor. Diante desse caso, a hipótese diagnóstica mais provável e o(s) exame(s) diagnóstico(s) a ser(em) solicitado(s) são, respectivamente,
Hematúria macroscópica indolor + tabagismo + exposição ocupacional (tintas) → Alta suspeita de câncer de bexiga → Cistoscopia com biópsia.
Hematúria macroscópica indolor, especialmente em idosos com história de tabagismo e exposição a carcinógenos ocupacionais (como anilinas em tintas), é um sinal de alerta para câncer de bexiga. A cistoscopia com biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo.
O câncer de bexiga é uma neoplasia urológica comum, predominantemente do tipo carcinoma urotelial (ou de células transicionais). Sua incidência aumenta com a idade, sendo mais frequente em homens. Os fatores de risco são bem estabelecidos, com o tabagismo sendo o mais proeminente, responsável por cerca de metade dos casos. A exposição ocupacional a aminas aromáticas, encontradas em indústrias de tintas, borracha e produtos químicos, também é um fator de risco significativo, como no caso do paciente aposentado de fábrica de tintas. A detecção precoce é fundamental para um melhor prognóstico. O sintoma mais característico do câncer de bexiga é a hematúria macroscópica indolor e intermitente, presente em cerca de 85% dos pacientes. Outros sintomas irritativos vesicais, como disúria e polaciúria, podem ocorrer, mas são menos específicos. Diante de um paciente com hematúria, especialmente com fatores de risco como tabagismo e exposição ocupacional, a suspeita de câncer de bexiga deve ser alta, mesmo que haja histórico de cistites, que podem mascarar a causa real. O diagnóstico definitivo requer a visualização direta da bexiga e a obtenção de tecido para análise histopatológica. A cistoscopia ambulatorial com biópsia de qualquer lesão suspeita é o procedimento diagnóstico de escolha. Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem ser utilizados para estadiamento e avaliação do trato urinário superior, mas não substituem a cistoscopia para o diagnóstico primário da lesão vesical.
Os principais fatores de risco para câncer de bexiga incluem tabagismo (o mais importante), exposição ocupacional a aminas aromáticas (indústria de tintas, borracha, couro), idade avançada, histórico de radioterapia pélvica e uso de certos medicamentos como ciclofosfamida.
A hematúria macroscópica indolor é o sintoma mais comum e frequentemente o primeiro sinal de câncer de bexiga. Sua natureza indolor pode levar à subestimação, mas é um forte indicativo de malignidade urotelial e exige investigação imediata.
A cistoscopia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de câncer de bexiga. Permite a visualização direta da mucosa vesical, identificação de lesões e realização de biópsias para confirmação histopatológica e estadiamento.
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