Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2024
Paciente masculino, 65 anos, procura atendimento médico queixando-se de hematúria de início há 3 semanas. Notou discreto sangramento na urina há 3 semanas, autolimitado por alguns dias, e retornou novamente a apresentar sangramentos, desta vez associado a disúria polaciúria. Nega dor. Nega febre. Nega trauma. É hipertenso e diabético, tabagista. Ao exame físico: bom estado geral, corado, hidratado, Abdome flácido, indolor, sem massas palpáveis. Testículos tópicos. Pênis, glande e uretra sem alterações visíveis. Realizou a tomografia e a cistoscopia (figura abaixo) para elucidação diagnóstica. Assinale a principal hipótese diagnóstica.
Homem idoso tabagista com hematúria indolor e disúria/polaciúria → alta suspeita de câncer de bexiga.
A hematúria, especialmente em pacientes idosos e tabagistas, é um sinal de alerta para neoplasias urológicas, sendo o câncer de bexiga uma das principais hipóteses. A presença de sintomas irritativos como disúria e polaciúria, embora comuns em infecções, não exclui malignidade e, em conjunto com a hematúria, reforça a necessidade de investigação completa, incluindo cistoscopia e exames de imagem.
O câncer de bexiga é uma neoplasia urológica comum, com maior incidência em homens idosos e fortemente associada ao tabagismo. A apresentação clínica clássica envolve hematúria macroscópica indolor, que pode ser intermitente. No entanto, sintomas irritativos do trato urinário inferior, como disúria e polaciúria, também podem estar presentes, confundindo o quadro com infecções urinárias ou hiperplasia prostática benigna, especialmente em idosos. A história clínica detalhada, incluindo fatores de risco como o tabagismo, é crucial para levantar a suspeita. A investigação de hematúria, particularmente em pacientes de risco, deve ser abrangente. Exames de imagem como a tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste (urotomografia) são importantes para avaliar o trato urinário superior e a bexiga. Contudo, a cistoscopia é o exame definitivo para o diagnóstico de câncer de bexiga. Ela permite a visualização direta da lesão, sua localização, tamanho e características, além da possibilidade de biópsia para confirmação histopatológica e determinação do tipo e grau do tumor. Para o residente, é fundamental reconhecer que a hematúria em pacientes de risco nunca deve ser subestimada. A conduta inicial deve ser a investigação completa para excluir malignidade antes de atribuir os sintomas a causas benignas. O diagnóstico precoce do câncer de bexiga, muitas vezes guiado pela cistoscopia, é essencial para um melhor prognóstico e para a escolha da terapia mais adequada, que pode variar desde a ressecção transuretral até a cistectomia radical, dependendo do estadiamento da doença.
O principal fator de risco para câncer de bexiga é o tabagismo. Outros fatores incluem exposição ocupacional a aminas aromáticas (indústria de tintas, borracha, couro), radioterapia pélvica prévia, uso crônico de ciclofosfamida e infecções crônicas do trato urinário (como esquistossomose).
A hematúria, especialmente a macroscópica e indolor, é o sintoma mais comum do câncer de bexiga e deve ser sempre investigada. Mesmo que autolimitada, sua presença em pacientes de risco exige uma avaliação urológica completa, incluindo cistoscopia e exames de imagem do trato urinário superior.
A cistoscopia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de câncer de bexiga, pois permite a visualização direta da mucosa vesical, a identificação de lesões suspeitas e a realização de biópsias para confirmação histopatológica. É essencial para estadiamento e planejamento terapêutico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo