CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2012
É correto afirmar sobre a camada de fibras nervosas da retina que:
Fibras temporais periféricas → arcos supra/infra-foveais → polos superior/inferior do disco óptico.
A organização espacial das fibras nervosas na retina explica por que o dano glaucomatoso inicial frequentemente poupa a visão central (feixe papilomacular) e afeta as regiões arqueadas.
A camada de fibras nervosas da retina (CFNR) é composta pelos axônios das células ganglionares. Sua distribuição é altamente organizada: as fibras da retina nasal seguem um trajeto radial direto para o lado nasal do disco. As fibras da região macular formam o feixe papilomacular que entra no lado temporal do disco. As fibras temporais à fóvea são divididas por uma linha horizontal chamada rafe temporal. As fibras acima e abaixo dessa linha arqueiam-se sobre e sob a mácula, respectivamente, para entrar nos polos superior e inferior do disco óptico. Esta configuração explica por que as alterações estruturais no glaucoma (como o aumento da escavação nos polos) correlacionam-se com defeitos funcionais específicos no campo visual (degrau nasal e escotomas arqueados).
As fibras arqueadas são axônios provenientes das células ganglionares da retina temporal periférica. Devido à localização da fóvea, essas fibras não podem seguir um caminho reto até o disco óptico; em vez disso, elas formam arcos superiores e inferiores ao redor da mácula e entram no disco óptico em seus polos superior e inferior. Essa anatomia é a base para os escotomas arqueados típicos do glaucoma.
O feixe papilomacular, que transporta informações da fóvea (visão central), segue um trajeto direto e entra no setor temporal do disco óptico. Por ser composto por fibras menores e mais densas, ele costuma ser preservado até estágios avançados de doenças como o glaucoma primário de ângulo aberto.
Normalmente, as fibras nervosas da retina não possuem mielina dentro do globo ocular para manter a transparência retinal. A mielinização começa apenas após as fibras atravessarem a lâmina crivosa no disco óptico. A presença de fibras mielinizadas na retina é uma variação anatômica congênita benigna vista em uma pequena minoria de pacientes (aprox. 1%).
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