UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menina, 14 anos comparece à Unidade Básica de Saúde e apresenta a Caderneta de Vacinação a seguir. Pode-se afirmar que, de acordo com o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde do Brasil, ela deve ser orientada adicionalmente a receber as vacinas: | Vacina | Doses / idade | | ---------------------------------------------------------------------------- | ----------------- | | BCG | 10 dias de vida | | Hepatite B | Na maternidade | | Penta (difteria, tétano, pertussis, hepatite B e *Haemophilus influenzae* B) | 2, 4 e 6 meses | | Febre Amarela | 9 meses | | Hepatite A | 15 meses | | DTP (difteria, pertussis, tétano) | 15 meses e 4 anos | | VIP (vacina inativada contra poliomielite) | 2, 4 e 6 meses | | Pneumocócica 10V (conjugada) | 2, 4 e 12 meses | | VRH (vacina atenuada contra rotavírus humano) | 2 e 4 meses | | Meningocócica C (conjugada) | 3, 5 e 12 meses | | VOPb (vacina oral atenuada contra poliomielite) | 15 meses e 4 anos | | Tríplice Viral | 12 meses | | Tetra Viral | 15 meses | | Varicela | 4 anos |
Adolescente 11-14 anos → HPV (dose única), Meningo ACWY, reforço dT (10/10 anos) e Febre Amarela.
O PNI recomenda para adolescentes a atualização da vacina HPV (agora em dose única), o reforço da dT a cada 10 anos, a vacina Meningocócica ACWY (11-14 anos) e a dose de Febre Amarela se não houver comprovação.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil é dinâmico e sofre atualizações frequentes para refletir as melhores evidências científicas e a epidemiologia local. Para o adolescente, o foco mudou de apenas reforços para a introdução de novas tecnologias, como a vacina conjugada quadrivalente para meningite e a simplificação do esquema de HPV. A compreensão do calendário vacinal é essencial na atenção primária para garantir que oportunidades de vacinação não sejam perdidas durante consultas de rotina. Além das vacinas citadas, é fundamental verificar o status vacinal para Hepatite B e Tríplice Viral (SCR), garantindo que o esquema de duas doses de SCR esteja completo. A vacina contra a Febre Amarela também deve ser garantida, especialmente em um país com áreas de recomendação de vacinação extensas. O domínio desses protocolos permite ao médico residente e ao generalista atuar diretamente na prevenção de doenças imunopreveníveis de alto impacto social.
Desde abril de 2024, o Ministério da Saúde do Brasil adotou o esquema de dose única para a vacina HPV quadrivalente em crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. O objetivo é aumentar a adesão e a cobertura vacinal, protegendo contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus, responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo do útero e verrugas genitais. Para indivíduos imunossuprimidos e vítimas de violência sexual, o esquema de três doses ainda é mantido, respeitando os intervalos específicos de 0, 2 e 6 meses. A mudança baseia-se em evidências da OMS que demonstram eficácia comparável entre uma e duas doses nesta faixa etária.
A vacina Meningocócica ACWY (conjugada) é indicada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para adolescentes na faixa etária de 11 a 14 anos. Ela funciona como um reforço ou dose única, dependendo do histórico vacinal prévio, visando ampliar a proteção contra os sorogrupos A, C, W e Y da Neisseria meningitidis. Além da proteção individual contra a doença meningocócica invasiva, a vacinação nesta faixa etária é estratégica para reduzir o estado de portador nasofaríngeo, gerando imunidade de rebanho e protegendo indiretamente outros grupos etários, já que os adolescentes são os principais transmissores da bactéria na comunidade.
A vacina dT, que protege contra difteria e tétano, deve ser administrada como reforço a cada 10 anos ao longo de toda a vida adulta, após a conclusão do esquema primário na infância (geralmente feito com a vacina Penta e DTP). Em casos de ferimentos graves ou altamente tetanogênicos, esse intervalo de reforço pode ser antecipado para 5 anos. No caso da adolescente de 14 anos apresentada na questão, como sua última dose de DTP foi aos 4 anos, ela já completou 10 anos desde a última aplicação, tornando o reforço com a vacina dT necessário para manter os níveis protetores de anticorpos contra as toxinas tetânica e diftérica.
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