Cálculos de Estruvita: Fisiopatologia e Complicações

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021

Enunciado

Com relação aos cálculos de estruvita, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O exame de urina costuma mostrar pH abaixo de 4,0 e marcada leucocitúria.
  2. B) O tratamento antibiótico de escolha é feito com a associação de ceftazidima e vancomicina.
  3. C) Ocorrem na presença de bactérias produtoras de CO₂, como bacilos Gram negativos e anaeróbios.
  4. D) Em geral, são cálculos grandes e formados pela precipitação de cistina e oxalato de cálcio.
  5. E) Por causa de sua associação com infecções, há significativa morbimortalidade relacionada a esses cálculos.

Pérola Clínica

Cálculos de estruvita: associados a ITU por bactérias produtoras de urease (ex: Proteus) → pH urinário alcalino e alta morbimortalidade.

Resumo-Chave

Cálculos de estruvita são formados por fosfato amoníaco magnesiano e carbonato de apatita, resultantes de infecções do trato urinário por bactérias produtoras de urease (como Proteus spp.), que alcalinizam a urina. Devido à sua rápida formação e potencial para crescerem como cálculos coraliformes, estão associados a significativa morbimortalidade se não tratados adequadamente.

Contexto Educacional

Os cálculos de estruvita, também conhecidos como cálculos infecciosos ou de fosfato amoníaco magnesiano, representam uma forma complexa de urolitíase, correspondendo a cerca de 10-15% de todos os cálculos renais. Sua importância clínica reside na associação direta com infecções do trato urinário (ITU) por bactérias produtoras de urease, como Proteus mirabilis, e no potencial de causar morbimortalidade significativa. São mais comuns em mulheres e em pacientes com anomalias anatômicas do trato urinário ou cateterismo crônico. A fisiopatologia envolve a hidrólise da ureia pela urease bacteriana, que resulta na formação de amônia e dióxido de carbono. A amônia, ao se combinar com íons hidrogênio, eleva o pH urinário (geralmente acima de 7,0), criando um ambiente propício para a precipitação de fosfato amoníaco magnesiano e carbonato de apatita. Esses cálculos podem crescer rapidamente, formando grandes massas que preenchem o sistema coletor renal, conhecidas como cálculos coraliformes. O diagnóstico é feito por exames de imagem (tomografia computadorizada) e análise da urina, que tipicamente mostra pH alcalino, piúria e bacteriúria. O tratamento dos cálculos de estruvita é desafiador e envolve a remoção do cálculo (geralmente por nefrolitotomia percutânea ou ureteroscopia) e a erradicação da infecção. O tratamento antibiótico isolado não é suficiente, pois as bactérias persistem dentro do cálculo. A prevenção de recorrências inclui o controle de ITUs e, em alguns casos, o uso de inibidores de urease. A falha no tratamento pode levar a complicações graves como sepse, pielonefrite crônica e insuficiência renal, justificando a significativa morbimortalidade associada a essa condição.

Perguntas Frequentes

Quais bactérias estão mais comumente associadas aos cálculos de estruvita?

As bactérias mais comumente associadas aos cálculos de estruvita são as produtoras de urease, como Proteus mirabilis, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. A urease hidrolisa a ureia, elevando o pH urinário e facilitando a precipitação dos cristais.

Qual é a composição dos cálculos de estruvita?

Os cálculos de estruvita são compostos principalmente por fosfato amoníaco magnesiano (MgNH4PO4·6H2O) e, frequentemente, carbonato de apatita. Sua formação está diretamente ligada à alcalinização da urina causada por infecções bacterianas.

Por que os cálculos de estruvita estão associados a alta morbimortalidade?

A alta morbimortalidade dos cálculos de estruvita deve-se à sua capacidade de crescer rapidamente, formando cálculos coraliformes que preenchem o sistema coletor renal, e à sua associação com infecções crônicas. Isso pode levar a pielonefrite recorrente, sepse, insuficiência renal e necessidade de cirurgias complexas.

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