Trauma Ocular: Entendendo o Cálculo de Risco Epidemiológico

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2019

Enunciado

Estudo realizado pela Universidade Federal do Piauí – UFPI, em 713 pacientes vítimas de trauma ocular, revelou que os pacientes foram acometidos principalmente na terceira década de vida, correspondendo a um total de 312 pacientes (43,75%), e que, com relação à atividade desenvolvida durante o trauma, 158 pacientes (22,16%) eram metalúrgicos, 153 (21,46%) serralheiros e 126 (17,67%) mecânicos. Com relação ao risco de sofrer o trauma ocular,

Alternativas

  1. A) nada é possível afirmar por falta de dados para seu cálculo.
  2. B) pode-se afirmar que ele tem relação com a idade do trabalhador.
  3. C) pode-se afirmar que ele é maior dentre os metalúrgicos.
  4. D) pode-se afirmar que ele é maior para o trabalhador metalúrgico, na faixa etária dos 30 anos.

Pérola Clínica

Estudo transversal apenas com número de casos não permite calcular risco; faltam dados da população total exposta.

Resumo-Chave

O enunciado apresenta apenas o número de casos de trauma ocular por faixa etária e ocupação em um estudo transversal. Para calcular o risco (incidência), seria necessário conhecer a população total em risco (denominador) para cada grupo (idade, ocupação), o que não é fornecido. Portanto, não é possível afirmar sobre o risco.

Contexto Educacional

Em epidemiologia, é fundamental distinguir entre o número absoluto de casos (frequência) e o risco de ocorrência de um evento. O risco, geralmente expresso como incidência (taxa de incidência ou incidência acumulada), é uma medida de probabilidade que quantifica a chance de um indivíduo desenvolver uma doença ou condição em um período específico. Para seu cálculo, é imprescindível conhecer tanto o número de eventos quanto o tamanho da população sob risco. Um estudo transversal, como o descrito, fornece uma 'fotografia' da prevalência de uma condição em um determinado momento ou o número de casos em grupos específicos. Embora possa indicar quais grupos são mais afetados em termos absolutos, ele não permite inferir o risco sem informações sobre a população total de cada grupo. Por exemplo, se há muitos metalúrgicos com trauma ocular, mas a categoria de metalúrgicos é muito grande, o risco individual pode não ser o maior. Portanto, para afirmar sobre o risco de sofrer trauma ocular em diferentes ocupações ou faixas etárias, seria necessário um estudo que permitisse o cálculo de taxas de incidência, comparando o número de traumas com o total de trabalhadores em cada categoria. A ausência do denominador (população em risco) impede qualquer afirmação sobre o risco relativo ou absoluto.

Perguntas Frequentes

O que é necessário para calcular o risco de um evento em epidemiologia?

Para calcular o risco (incidência), é necessário o número de novos casos de um evento em um período específico e o tamanho da população em risco (denominador) durante o mesmo período.

Por que o estudo apresentado não permite calcular o risco de trauma ocular?

O estudo fornece apenas o número de casos de trauma ocular por grupo ocupacional e idade, mas não informa o total de trabalhadores em cada categoria ou faixa etária, impedindo o cálculo do denominador para o risco.

Qual a diferença entre número de casos e risco em epidemiologia?

O número de casos é uma contagem absoluta de eventos. O risco é uma medida de probabilidade que relaciona o número de eventos à população total exposta ao risco.

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