UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022
Em um município, no último dia do ano de 2019 existiam 235 casos de diabetes, no ano seguinte, 30 novos casos foram diagnosticados. Neste mesmo ano, 4 pessoas que já possuíam diabetes mudaram-se para esse município, sendo que do total de casos desse município, 3 foram a óbito. População do município 31/12/2019 – 150.000 habitantes 01/07/2020 – 153.000 habitantes 31/12/2020 – 156.000 habitantes Qual a incidência de diabetes por mil habitantes no município em 2019?
Incidência = Casos novos / População sob risco no período determinado.
A incidência mede a velocidade com que novos casos surgem em uma população anteriormente sadia, refletindo o risco de adoecimento em um intervalo de tempo.
O cálculo de indicadores de saúde é a base da vigilância epidemiológica. A incidência é particularmente útil para avaliar a eficácia de medidas de prevenção primária e para identificar surtos ou epidemias em tempo real. No contexto de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como o diabetes mellitus, a incidência ajuda a entender o impacto de fatores de vida e envelhecimento populacional na carga da doença. Nesta questão, o foco recai sobre a aplicação da fórmula clássica: Casos Novos divididos pela População Exposta. Embora enunciados de prova possam apresentar dados complexos de migração e óbitos, o conceito fundamental de 'novos diagnósticos' deve sempre guiar a escolha do numerador. A compreensão clara desses coeficientes permite ao gestor de saúde alocar recursos de forma eficiente e planejar intervenções baseadas em evidências.
A incidência foca exclusivamente nos casos novos que surgem em um período específico em uma população que inicialmente não apresentava a doença. É uma medida de fluxo e risco. Já a prevalência é uma medida de estoque, englobando todos os casos existentes (novos e antigos) em um determinado ponto no tempo. Para o cálculo da incidência, é fundamental excluir do denominador as pessoas que já possuem a doença no início do período, pois elas não estão mais 'sob risco' de desenvolver a condição que já possuem.
Em estudos populacionais anuais, a população pode variar devido a nascimentos, óbitos e migrações. Por convenção epidemiológica, utiliza-se frequentemente a estimativa da população em 1º de julho (meio do ano) como o denominador para taxas de incidência e mortalidade, representando a média de pessoas sob risco durante aquele ano civil. Isso confere maior precisão estatística ao indicador, especialmente em municípios com crescimento demográfico acelerado ou alta rotatividade migratória.
A população sob risco é composta por indivíduos que têm o potencial de desenvolver o evento de interesse. Por exemplo, ao calcular a incidência de câncer de colo de útero, o denominador deve incluir apenas mulheres. No caso de doenças crônicas como diabetes, uma vez que o indivíduo é diagnosticado, ele sai do grupo 'sob risco' para entrar no grupo de prevalência. Portanto, para cálculos rigorosos de incidência, subtraímos os casos pré-existentes da população total no início do acompanhamento.
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