Cálculos de Estruvita: Diagnóstico e Cristais Típicos

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 36a, procura Pronto Socorro com dor e urgência para urinar há 1 dia. Antecedente Pessoal: Nefrolitiase. Exame sumário de urina: pH= 7,8; Nitrito= positivo; Leucócitos= 740.000/ml; Hemácias= 20.000/ml; Bactérias= numerosas; Cristais= em forma de “tampa de caixão”. Radiograma de abdome: O CRISTAL É COMPOSTO POR:

Alternativas

  1. A) Cálcio.
  2. B) Ácido úrico.
  3. C) Estruvita.
  4. D) Uratos amorfos.

Pérola Clínica

Cristais em 'tampa de caixão' + ITU com pH alcalino → Cálculo de estruvita (infecção por bactérias urease-produtoras).

Resumo-Chave

Cálculos de estruvita, ou cálculos infecciosos, são formados por fosfato amônio magnesiano e são fortemente associados a infecções do trato urinário por bactérias produtoras de urease, como Proteus spp. A urease hidrolisa a ureia em amônia e dióxido de carbono, elevando o pH urinário e precipitando os cristais de estruvita, que classicamente têm forma de 'tampa de caixão' no exame de urina.

Contexto Educacional

A nefrolitíase é uma condição comum na prática clínica, e a identificação do tipo de cálculo é fundamental para o manejo e prevenção de recorrências. Os cálculos de estruvita representam cerca de 10-15% dos casos e são únicos por sua forte associação com infecções do trato urinário. Entender sua fisiopatologia é crucial, pois eles podem crescer rapidamente e formar cálculos coraliformes, preenchendo o sistema coletor renal e causando danos significativos ao rim. A presença de cristais em 'tampa de caixão' no sumário de urina, juntamente com um pH urinário alcalino e sinais de infecção, é um forte indicativo de cálculo de estruvita. O diagnóstico preciso envolve a análise do cálculo, exames de imagem como radiografia de abdome (são radiopacos), ultrassonografia ou tomografia computadorizada. O manejo não se limita à remoção do cálculo, mas também inclui o tratamento da infecção subjacente e a prevenção de novas infecções. A persistência da infecção pode levar à recorrência do cálculo e a complicações como pielonefrite crônica e insuficiência renal. Para residentes, é vital reconhecer as características clínicas e laboratoriais que apontam para cálculos de estruvita, diferenciando-os de outros tipos de litíase. A abordagem terapêutica pode variar desde litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LEOC) até cirurgia percutânea, dependendo do tamanho e localização do cálculo, sempre acompanhada de antibioticoterapia adequada. A prevenção de recorrências exige controle rigoroso das infecções urinárias e, em alguns casos, acidificação urinária.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais laboratoriais que sugerem um cálculo de estruvita?

Cálculos de estruvita são frequentemente associados a infecções do trato urinário por bactérias produtoras de urease. Os sinais laboratoriais incluem pH urinário alcalino (>7,0), nitrito positivo, piúria acentuada e a presença de cristais de fosfato amônio magnesiano, que são descritos como 'tampa de caixão'.

Qual a principal causa da formação de cálculos de estruvita?

A principal causa é a infecção crônica do trato urinário por bactérias produtoras de urease, como Proteus mirabilis. A urease hidrolisa a ureia, liberando amônia que alcaliniza a urina e favorece a precipitação de fosfato, amônio e magnésio, formando o cálculo.

Como os cálculos de estruvita se diferenciam de outros tipos de cálculos renais?

Diferenciam-se pela sua composição (fosfato amônio magnesiano), associação com infecção e pH urinário alcalino. Cálculos de cálcio são os mais comuns e geralmente ocorrem em urina ácida ou neutra, enquanto cálculos de ácido úrico ocorrem em urina ácida e não são radiopacos.

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