HMAR - Hospital Memorial Arthur Ramos (AL) — Prova 2021
Paciente masculino de 34 anos comparece em consulta na atenção básica queixando se de dor abdominal em cólicas há 5 ou 6 anos (não sabe precisar). Há alguns meses apresentou piora das dores, classificando-a como em cólicas, de forte intensidade, com duração de aproximadamente 10 minutos, associada a náuseas e vômitos no momento da dor. Nega febre. Queixa-se de irradiação para região testicular direita. No momento não tem queixas urinárias, mas durante o último ano apresentou 3 infecções urinárias não complicadas. Nega comorbidades. Ao exame físico: bom estado geral, corado, hidratado. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome com ruídos, flácido, indolor, sem sinais de visceromegalias ou peritonite. Punho percussão de loja renal direita duvidosa. Traz uma radiografia de abdome simples. A principal hipótese diagnóstica é:
Dor cólica renal crônica + ITU recorrente + irradiação testicular + Rx abdome simples → Suspeitar cálculo coraliforme.
A história de dor abdominal em cólicas de longa data, piora recente, irradiação para testículo e infecções urinárias de repetição, associada a uma radiografia de abdome simples (que pode mostrar cálculos radiopacos), sugere fortemente nefrolitíase. Um cálculo coraliforme, que preenche o sistema coletor renal, é uma hipótese robusta nesse cenário, especialmente pela cronicidade e ITUs.
A nefrolitíase, ou cálculos renais, é uma condição urológica comum, com uma prevalência significativa na população. Os cálculos coraliformes representam uma forma particular e grave de nefrolitíase, caracterizada por preencher o sistema coletor renal, assumindo a forma dos cálices e da pelve. São frequentemente compostos por estruvita (fosfato amoníaco magnesiano), associados a infecções urinárias por bactérias produtoras de urease, como Proteus mirabilis. A fisiopatologia envolve a supersaturação da urina com sais formadores de cálculo e, no caso dos coraliformes, a presença de infecção que altera o pH urinário e facilita a precipitação. Clinicamente, os pacientes podem apresentar dor lombar crônica ou intermitente, infecções urinárias de repetição (como no caso do paciente), hematúria e, em casos avançados, hidronefrose e disfunção renal. A irradiação da dor para a região testicular é um sintoma clássico de cólica renal. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica e exame físico, e confirmado por exames de imagem. A radiografia de abdome simples pode revelar cálculos radiopacos, mas a tomografia computadorizada sem contraste é o padrão-ouro para avaliar tamanho, localização e densidade do cálculo. O tratamento dos cálculos coraliformes é complexo e geralmente envolve intervenção cirúrgica (nefrolitotomia percutânea) para remover o cálculo e tratar a infecção subjacente, visando preservar a função renal e prevenir futuras complicações.
Um cálculo coraliforme é um tipo de cálculo renal que preenche parcial ou totalmente o sistema coletor renal, assumindo o formato dos cálices e da pelve renal. Os sintomas incluem dor lombar crônica, infecções urinárias de repetição, hematúria e, em casos avançados, insuficiência renal.
Cálculos coraliformes frequentemente atuam como um nicho para bactérias, formando biofilmes e dificultando a erradicação da infecção, o que leva a infecções urinárias de repetição e, por vezes, pielonefrite crônica.
A radiografia de abdome simples pode ser útil para identificar cálculos radiopacos, como os de oxalato de cálcio ou estruvita (comuns em cálculos coraliformes), que aparecem como uma imagem densa preenchendo o sistema coletor renal. No entanto, a tomografia computadorizada é o padrão-ouro.
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