FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Um homem de 58 anos de idade chega ao atendimento de urgência com queixas vagas de náusea e diminuição do apetite nessas últimas 4 a 6 semanas. O exame físico revela sinais vitais normais e nenhuma anormalidade, a não ser um homem magro com hipersensibilidade abdominal difusa leve, sem defesa ou rebote. O paciente apresenta um nível sérico de cálcio reduzido de 7,8 mg/dL. Ele nega qualquer sintoma musculoesquelético. Outros exames laboratoriais são: sódio 139 mEq/dL, bicarbonato 26 mEq/dL, creatinina 1,2 mg/dL, glicose 109 mg/dL, proteínas totais 6,2 g/dL, albumina 2,0 g/dL, bilirrubina total 1,2 mg/dL e potássio 3,8 mg/dL No que se refere à hipocalcemia desse paciente, qual das seguintes opções é a resposta mais adequada?
Hipoalbuminemia → ↓ Cálcio Total, mas Cálcio Iônico normal. Corrigir: Ca + 0,8 × (4 - Alb).
A hipocalcemia laboratorial em pacientes com hipoalbuminemia costuma ser espúria, pois a fração ionizada (fisiologicamente ativa) permanece estável.
O metabolismo do cálcio é intrinsecamente ligado às proteínas plasmáticas. Em pacientes com doenças crônicas, desnutrição ou cirrose (sugerida pela perda de peso e hipoalbuminemia no caso), a redução da albumina gera uma queda proporcional no cálcio total. No entanto, a homeostase do cálcio iônico é mantida pelo PTH e pela Vitamina D, garantindo que o paciente permaneça assintomático. Este conceito é fundamental na prática médica para evitar a administração iatrogênica de cálcio intravenoso, que pode causar arritmias e danos teciduais se administrado sem necessidade. Sempre que encontrar um cálcio total baixo em paciente assintomático, o primeiro passo deve ser a verificação da albumina ou a dosagem direta do cálcio iônico.
A correção é necessária porque cerca de 40% a 45% do cálcio sérico está ligado a proteínas, principalmente à albumina. Quando a albumina está baixa, o cálcio total medido também cai, mas a fração livre (ionizada) pode estar normal. A fórmula clássica é: Cálcio Corrigido = Cálcio Medido + [0,8 x (4,0 - Albumina do paciente)]. No caso clínico apresentado, o cálculo resulta em 7,8 + [0,8 x (4,0 - 2,0)] = 9,4 mg/dL, o que está dentro da faixa de normalidade, dispensando intervenções.
O cálcio iônico deve ser solicitado sempre que houver suspeita de que o cálcio total não reflete a realidade clínica, como em estados de hipoalbuminemia grave, distúrbios ácido-básicos (que alteram a afinidade da albumina pelo cálcio) ou em pacientes críticos. Ele representa a fração fisiologicamente ativa e é o padrão-ouro para diagnosticar hipocalcemia verdadeira em ambientes de terapia intensiva ou urgência.
A hipocalcemia verdadeira manifesta-se por irritabilidade neuromuscular. Os sinais clássicos incluem parestesias periorais e nas extremidades, espasmos musculares, sinal de Chvostek (contração facial ao percutir o nervo facial) e sinal de Trousseau (espasmo carpal após insuflação do manguito de pressão arterial). Em casos graves, pode haver prolongamento do intervalo QT no ECG, convulsões e laringoespasmo.
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