Calcifilaxia em IRC: Fisiopatologia e Diagnóstico

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 55 anos, com insuficiência renal crônica, em diálise há 8 anos, apresenta placa necrótica de 5cm em mama direita. Pode-se afirmar que a fisiopatologia mais provável dessa lesão é:

Alternativas

  1. A) hiperparatireoidismo
  2. B) acidose metabólica
  3. C) aterosclerose avançada
  4. D) hipercalemia refratária

Pérola Clínica

IRC + placa necrótica = suspeitar Calcifilaxia, frequentemente ligada ao hiperparatireoidismo secundário.

Resumo-Chave

A calcifilaxia é uma condição rara, mas grave, caracterizada por calcificação da camada média das arteríolas cutâneas e subcutâneas, levando à isquemia e necrose tecidual. É mais comum em pacientes com doença renal crônica em estágio terminal, especialmente aqueles em diálise, e está fortemente associada a distúrbios do metabolismo mineral e ósseo, como o hiperparatireoidismo secundário.

Contexto Educacional

A calcifilaxia, ou calcificação urêmica arteriolopática, é uma condição rara e grave que afeta principalmente pacientes com doença renal crônica em estágio terminal, especialmente aqueles em diálise. Caracteriza-se pela calcificação das arteríolas cutâneas e subcutâneas, levando à isquemia, necrose tecidual e úlceras dolorosas. A mortalidade é alta, principalmente devido a infecções secundárias das lesões cutâneas e sepse. É crucial para o residente reconhecer essa condição devido à sua gravidade e à necessidade de intervenção precoce. A fisiopatologia da calcifilaxia é complexa e multifatorial, envolvendo distúrbios do metabolismo mineral e ósseo, como hiperparatireoidismo secundário, hiperfosfatemia e níveis elevados de cálcio. Esses fatores promovem a deposição de cálcio e fósforo na parede dos vasos sanguíneos, resultando em oclusão vascular e necrose. O diagnóstico é clínico, baseado nas características das lesões cutâneas e no histórico do paciente, e pode ser confirmado por biópsia de pele, que mostra calcificação da camada média das arteríolas. O tratamento da calcifilaxia é desafiador e visa controlar os fatores de risco, aliviar a dor e promover a cicatrização das feridas. Isso inclui o manejo do hiperparatireoidismo (paratireoidectomia em casos selecionados), controle da hiperfosfatemia e hipercalcemia, uso de tiossulfato de sódio e cuidados intensivos com as feridas. O prognóstico é reservado, mas o reconhecimento precoce e a abordagem multidisciplinar podem melhorar os resultados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para calcifilaxia?

Os principais fatores de risco incluem doença renal crônica em estágio terminal (especialmente em diálise), hiperparatireoidismo secundário, hiperfosfatemia, uso de varfarina, obesidade e diabetes mellitus. O desequilíbrio do metabolismo mineral é central na sua patogênese.

Como a calcifilaxia se manifesta clinicamente?

A calcifilaxia tipicamente se manifesta com lesões cutâneas dolorosas, que evoluem de livedo reticular para placas endurecidas, nódulos e úlceras necróticas. As lesões são mais comuns em áreas com tecido adiposo, como abdome, coxas e mamas, e podem ser extremamente dolorosas.

Qual a relação entre hiperparatireoidismo e calcifilaxia?

O hiperparatireoidismo secundário, comum na IRC, leva a níveis elevados de PTH, que por sua vez pode causar aumento da reabsorção óssea e liberação de cálcio e fósforo para a circulação. Esse desequilíbrio mineral contribui para a calcificação vascular e tecidual, um componente chave da calcifilaxia.

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