Bypass Gástrico: Hérnia Interna e Obstrução Intestinal

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023

Enunciado

Paciente submetida à cirurgia bariátrica há 10 anos, com perda sustentada de 80% do excesso de peso, apresenta quadro de dor abdominal de início súbito associada a náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresenta-se eupneica, hidratada e normocorada. O exame ainda revela FC = 100 bpm e PA = 130 X 90 mmHg; abdome plano, flácido e doloroso à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal. O médico plantonista solicita uma tomografia computadorizada do abdome que demonstra agrupamento de alças de intestino delgado no quadrante superior esquerdo com ingurgitamento dos vasos mesentéricos e distensão do estômago excluso. A complicação descrita é característica da técnica de

Alternativas

  1. A) gastroplastia endoscópica.
  2. B) bypass gástrico em Y de Roux.
  3. C) gastrectomia vertical.
  4. D) banda gástrica ajustável.

Pérola Clínica

Bypass Gástrico em Y de Roux: dor abdominal súbita + vômitos + agrupamento de alças + estômago excluso distendido → Hérnia interna.

Resumo-Chave

A hérnia interna é uma complicação grave e relativamente comum do bypass gástrico em Y de Roux, especialmente após perda significativa de peso. A apresentação clínica é de obstrução intestinal e a TC é crucial para o diagnóstico, mostrando sinais como agrupamento de alças e distensão do estômago excluso.

Contexto Educacional

A cirurgia bariátrica, especialmente o bypass gástrico em Y de Roux (BGYR), é um procedimento eficaz para o tratamento da obesidade mórbida, mas não é isenta de complicações. A hérnia interna é uma das complicações tardias mais temidas e desafiadoras, com uma incidência que pode variar de 1% a 9% e que exige alta suspeição clínica. A fisiopatologia da hérnia interna no BGYR está relacionada às alterações anatômicas criadas pela cirurgia, que geram espaços potenciais para a herniação de alças intestinais. A perda significativa de peso pós-operatória pode alargar esses espaços mesentéricos, aumentando o risco. O diagnóstico é frequentemente difícil devido à apresentação inespecífica de dor abdominal, náuseas e vômitos, que podem ser intermitentes. A tomografia computadorizada (TC) de abdome é o exame de escolha para o diagnóstico, revelando sinais como agrupamento de alças, ingurgitamento vascular e distensão do estômago excluso. O tratamento é cirúrgico e emergencial, visando à redução da hérnia e ao fechamento dos defeitos mesentéricos para prevenir estrangulamento e isquemia intestinal, que podem ser fatais. A alta suspeição clínica é crucial para o diagnóstico precoce e um melhor prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais locais de formação de hérnias internas após o bypass gástrico em Y de Roux?

As hérnias internas podem ocorrer em três locais principais: no espaço de Petersen (entre o mesentério do roux e o mesocólon transverso), no mesentério do jejuno-jejuno (entre as alças do jejuno) e no mesentério do jejuno-ileal (entre a alça alimentar e a alça biliopancreática).

Quais são os sinais tomográficos que sugerem hérnia interna em pacientes pós-bypass gástrico?

Sinais tomográficos incluem agrupamento de alças de intestino delgado, ingurgitamento dos vasos mesentéricos, distensão do estômago excluso (cegueira gástrica), e o sinal do 'redemoinho' (swirl sign) dos vasos mesentéricos.

Por que a hérnia interna é uma complicação grave e exige diagnóstico rápido?

A hérnia interna pode levar à obstrução intestinal e, mais gravemente, ao estrangulamento e isquemia das alças intestinais, resultando em necrose, perfuração e peritonite, com alta morbimortalidade se não tratada cirurgicamente de forma emergencial.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo