HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2024
Considere uma jovem de 24 anos de idade, admitida no pronto-socorro após ter ingerido propositalmente grande quantidade de medicamentos. Após a estabilização clínica e melhora do nível de consciência, a paciente conta que fez uso dos medicamentos impulsivamente após uma discussão com sua mãe. Refere que se acha gorda e repulsiva, que “odeia” suas formas corporais, e que há três anos vem tentando perder peso, mas que, depois de um dia restringindo de forma rigorosa a alimentação, acaba perdendo o controle e come “tudo o que vê pela frente”. Além disso, relata que apresenta esses episódios quase diariamente e que, em seguida, provoca vômitos e se corta com lâmina de barbear em região de punhos, coxas e abdome. Também tem feito uso de laxantes e diuréticos, com o objetivo de “desinchar” e compensar os episódios compulsivos. Apresenta peso atual de 72 kg (altura: 1,65 m). Queixa-se de uma sensação de vazio, de longa data, e diz que os vômitos e as autoagressões também ajudam a aliviar a sua “dor psicológica”, através do desconforto físico. A paciente, no momento, nega ideação suicida e relata que já buscou atendimento psicológico, mas que frequentou sem regularidade e abandonou há um ano. O transtorno alimentar apresentado nesse caso e o provável transtorno de personalidade comórbido são, respectivamente
Bulimia Nervosa + TPB → compulsão alimentar, purgação, autoagressão, impulsividade e vazio crônico.
O caso descreve claramente a Bulimia Nervosa pelos episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios (vômitos, laxantes, diuréticos) e preocupação com a imagem corporal, sem baixo peso significativo. A comorbidade com Transtorno de Personalidade Borderline é sugerida pela impulsividade, autoagressão, instabilidade afetiva e sensação crônica de vazio.
A Bulimia Nervosa é um transtorno alimentar grave e potencialmente fatal, caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios inadequados para evitar o ganho de peso, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, diuréticos, jejum ou exercícios excessivos. É fundamental para residentes de psiquiatria e clínica médica reconhecerem seus padrões, que geralmente ocorrem em indivíduos com peso normal ou sobrepeso, diferenciando-a da Anorexia Nervosa. O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma comorbidade psiquiátrica comum em pacientes com Bulimia Nervosa, caracterizado por um padrão generalizado de instabilidade nas relações interpessoais, autoimagem, afetos e impulsividade acentuada. A presença de autoagressão, tentativas de suicídio, sentimentos crônicos de vazio e instabilidade emocional são marcadores importantes do TPB, que frequentemente exacerbam a complexidade do tratamento do transtorno alimentar. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multidisciplinar e integrada, combinando psicoterapia (especialmente Terapia Comportamental Dialética para o TPB e Terapia Cognitivo-Comportamental para a Bulimia Nervosa) e, em alguns casos, farmacoterapia para sintomas específicos. O reconhecimento precoce e o tratamento abrangente são essenciais para melhorar o prognóstico e reduzir os riscos associados a essas condições.
A Bulimia Nervosa é caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar, seguidos por comportamentos compensatórios inadequados (como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes/diuréticos, jejum ou exercícios excessivos), ocorrendo pelo menos uma vez por semana por três meses, e uma autoavaliação indevidamente influenciada pelo peso e forma corporal.
O Transtorno de Personalidade Borderline é marcado por um padrão de instabilidade nas relações interpessoais, autoimagem e afetos, além de impulsividade acentuada. Sintomas comuns incluem esforços frenéticos para evitar abandono, relacionamentos intensos e instáveis, perturbação da identidade, impulsividade em áreas potencialmente autodestrutivas, autoagressão, instabilidade afetiva e sentimentos crônicos de vazio.
A identificação de comorbidades psiquiátricas, como o Transtorno de Personalidade Borderline, é crucial para o planejamento terapêutico, pois elas podem complicar o curso do transtorno alimentar, aumentar o risco de suicídio e autoagressão, e exigir abordagens de tratamento integradas e multidisciplinares.
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