UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menino, 3 meses, é levado ao Setor de Emergência, pois ao arrotar poucos minutos após a mamada, colocou leite pela boca (estava em posição vertical no colo do pai), ficou sem respirar, flácido e com a face arroxeada. O pai refere que fez massagem no peito da criança e "respiração boca a boca" e, desta forma, rapidamente, a criança passou a chorar e ficou corada. Exame físico: dormindo e calmo; sem alterações significativas. A principal hipótese diagnóstica que justifica este possível evento súbito, breve, inexplicável e resolvido (do inglês, BRUE) foi um episódio de:
BRUE + Engasgo/Cianose pós-mamada → Pensar em Laringoespasmo protetor.
O BRUE é um evento assustador para os pais, mas frequentemente associado a mecanismos reflexos de proteção da via aérea, como o laringoespasmo pós-refluxo.
O termo BRUE substituiu o antigo ALTE para enfatizar a natureza transitória e muitas vezes benigna desses eventos. A fisiopatologia no lactente jovem está muito ligada à imaturidade dos reflexos de via aérea e do esfíncter esofágico inferior. No cenário de emergência, o papel do médico é estratificar o risco. Se o evento ocorreu logo após a alimentação e houve recuperação rápida com manobras simples, o laringoespasmo secundário ao refluxo é a hipótese mais provável. O tratamento foca em medidas posturais e fracionamento das mamadas, evitando exames invasivos em casos de baixo risco.
O BRUE (Brief Resolved Unexplained Event) é definido como um episódio súbito, breve (menos de 1 minuto, geralmente < 30 segundos) e que já se resolveu no momento do atendimento médico. Deve incluir pelo menos um dos seguintes: cianose ou palidez; alteração na respiração (apneia ou irregularidade); alteração acentuada no tônus muscular (hiper ou hipotonia); e alteração no nível de consciência. É um diagnóstico aplicado apenas quando não há explicação óbvia após anamnese e exame físico cuidadosos.
O laringoespasmo é um reflexo protetor mediado pelo nervo vago para impedir a aspiração de conteúdo gástrico ou líquido para os pulmões. Em lactentes, o refluxo gastroesofágico é comum; se o leite reflui até a laringe, as cordas vocais se fecham abruptamente. Isso causa apneia obstrutiva momentânea, cianose e flacidez reflexa. Assim que o estímulo cessa ou a criança relaxa, a via aérea abre, ocorrendo o choro e a recuperação rápida da cor, exatamente como descrito no caso.
Para ser considerado baixo risco, o lactente deve ter > 60 dias de vida, ter nascido a termo (≥ 32 semanas e idade corrigida ≥ 45 semanas), não ter recebido RCP por profissional, ser o primeiro evento e não apresentar achados anormais no exame físico ou história sugestiva de abuso ou doenças graves. Pacientes de baixo risco geralmente não necessitam de hospitalização ou exames extensos, apenas observação e orientação aos pais.
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