BRUE em Lactentes: Critérios de Risco e Conduta

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um lactente com 3 meses é levado ao atendimento de emergência por ter apresentado pela primeira vez episódio de cianose e hipotonia, que durou cerca de 30 segundos. Os pais negam qualquer intercorrência antes ou tentativa de ajuda após o episódio. A história clínica revela ter nascido a termo e o exame físico no momento não mostra alterações. Não há uma condição médica que justifique o evento. O pediatra responsável pelo atendimento deverá considerar o evento como de:

Alternativas

  1. A) Baixo risco e opcionalmente observar por uma a quatro horas.
  2. B) Alto risco e realizar oximetria de pulso por ao menos seis horas.
  3. C) Baixo risco e solicitar eletroencefalograma com 12 derivações.
  4. D) Alto risco e indicar internação hospitalar e exames laboratoriais.
  5. E) Baixo risco e realizar exames laboratoriais e de imagem.

Pérola Clínica

BRUE baixo risco (idade > 60d, termo, 1º evento, < 1 min) → Observação 1-4h + ECG (opcional).

Resumo-Chave

O BRUE (Brief Resolved Unexplained Event) substituiu o antigo termo ALTE, focando em eventos idiopáticos em lactentes saudáveis. Critérios de baixo risco permitem conduta conservadora.

Contexto Educacional

O conceito de BRUE foi introduzido para reduzir intervenções desnecessárias em lactentes que apresentam eventos transitórios sem causa aparente. Diferente do antigo ALTE (Apparent Life-Threatening Event), o BRUE exige que o paciente esteja assintomático no momento da avaliação e que o evento seja inexplicado. A estratificação de risco é a ferramenta mais importante para o pediatra. No caso descrito, o lactente tem 3 meses (> 60 dias), nasceu a termo, teve um evento curto (30s) e o exame físico é normal. Portanto, ele se encaixa perfeitamente no perfil de baixo risco, onde a observação clínica breve e a orientação familiar superam a necessidade de propedêutica invasiva.

Perguntas Frequentes

O que define um evento como BRUE?

Um BRUE é definido como um evento súbito, breve (menos de 1 minuto, tipicamente < 30 segundos) e agora resolvido em um lactente com menos de 1 ano de idade, que apresenta pelo menos um dos seguintes: cianose ou palidez; respiração ausente, diminuída ou irregular; alteração marcada no tônus muscular (hiper ou hipotonia); e alteração no nível de consciência. Crucialmente, o diagnóstico só é aplicado se não houver explicação após uma história e exame físico detalhados por um médico.

Quais são os critérios para classificar um BRUE como de baixo risco?

Para ser considerado de baixo risco, o paciente deve preencher TODOS os seguintes critérios: idade > 60 dias; idade gestacional ≥ 32 semanas e idade pós-concepcional ≥ 45 semanas; primeiro evento na vida (sem recorrências); duração < 1 minuto; não necessitou de RCP por profissional de saúde; ausência de achados preocupantes na história (ex: suspeita de maus-tratos, história familiar de morte súbita) e exame físico normal.

Qual a conduta recomendada para o BRUE de baixo risco?

Para pacientes de baixo risco, a Academia Americana de Pediatria recomenda uma abordagem minimalista. O médico deve educar os pais sobre o evento e oferecer treinamento de RCP. Clinicamente, pode-se realizar um ECG de 12 derivações (opcional) e observar o paciente por um período curto (1 a 4 horas). Exames laboratoriais, neuroimagem e internação hospitalar não são recomendados rotineiramente, pois o risco de um evento adverso grave ou recorrência significativa é extremamente baixo.

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