BRUE em Lactentes: Quando a Internação é Necessária?

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um lactente de 3 meses de idade, do sexo masculino, em aleitamento materno exclusivo, é trazido pelos pais ao pronto-socorro em razão de ter apresentado, há poucas horas, um episódio de perda de consciência e hipotonia, necessitando de estímulo excessivo para voltar ao normal. Os pais, muito assustados com o ocorrido, negam outras queixas e informam que o bebê é prematuro, nascido de parto normal, sem intercorrências. Ao exame físico, revela-se eutrófico com todos os sinais vitais normais. Qual a conduta mais apropriada diante desse quadro?

Alternativas

  1. A) Autorizar o retorno ao domicílio considerando que o bebê está bem, mas orientar retorno imediato ao pronto-socorro se o episódio se repetir.
  2. B) Liberar com medicação sintomática e encaminhar para o neuropediatra, em razão do quadro de hipotonia e perda de consciência.
  3. C) Determinar internação para fins de avaliação do neuropediatra e investigação de síndrome convulsiva com hipotonia.
  4. D) Determinar internação para observação clínica e investigação das principais causas, verificando os fatores de risco.

Pérola Clínica

Episódio súbito de hipotonia/cianose resolvido → Internar para observação (BRUE de alto risco).

Resumo-Chave

Um evento de breve duração, resolvido e inexplicado (BRUE) em um lactente jovem ou prematuro exige internação para monitorização e investigação de causas subjacentes graves.

Contexto Educacional

A transição do termo ALTE para BRUE pela Academia Americana de Pediatria visou estratificar melhor os pacientes e evitar exames desnecessários em crianças de baixo risco. No entanto, o caso clínico apresenta um lactente de 3 meses, prematuro, com um episódio severo de perda de consciência e hipotonia que exigiu estímulo excessivo. Estes fatores o colocam automaticamente em uma categoria de maior vigilância. A conduta de internação para observação clínica (mínimo de 12-24 horas) permite a monitorização contínua de saturação e frequência cardíaca, além de possibilitar a realização de exames direcionados, como ECG, triagem infecciosa ou avaliação neurológica, dependendo da evolução. A segurança da família e a capacidade de resposta a novos eventos também devem ser consideradas na decisão clínica.

Perguntas Frequentes

O que define um BRUE (Brief Resolved Unexplained Event)?

BRUE é um evento ocorrido em um lactente com menos de 1 ano de idade, caracterizado por uma alteração súbita, breve (menos de 1 minuto) e agora resolvida em um ou mais dos seguintes: cianose ou palidez; respiração ausente, diminuída ou irregular; alteração marcada no tônus (hiper ou hipotonia); e alteração no nível de consciência. O termo só é aplicado quando não há explicação óbvia para o evento após uma anamnese e exame físico iniciais cuidadosos.

Quais são os critérios para classificar um BRUE como de alto risco?

Um lactente é considerado de alto risco se apresentar qualquer um dos seguintes: idade < 60 dias; prematuridade (idade gestacional < 32 semanas e idade pós-concepcional < 45 semanas); ocorrência de mais de um evento (BRUE recorrente); necessidade de RCP por profissional treinado; ou história familiar de morte súbita inexplicada. Nesses casos, a internação para monitorização e investigação é mandatória.

Quais diagnósticos diferenciais devem ser investigados?

Embora muitos casos permaneçam sem causa definida, a investigação deve focar em: Refluxo Gastroesofágico (causa comum de apneia obstrutiva), convulsões (especialmente se houver movimentos anormais), infecções (sepse, meningite, coqueluche), distúrbios metabólicos, arritmias cardíacas (como síndrome do QT longo) ou até mesmo casos de maus-tratos (síndrome do bebê sacudido).

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