Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Um lactente com cinco de idade foi levado à emergência no colo de sua mãe, que relatou que o bebê apresentou episódio de cianose e hipotonia há uma hora, com duração de alguns segundos e melhora espontânea. Nega sonolência após, nega episódios pregressos, nega uso de medicação, nega vômitos e nega febre. A vacinação está em dia, faz uso de leite materno exclusivo, com bom ganho ponderal e não foi prematuro. Já rola na cama. O exame físico mostrou: frequência cardíaca de 121 bpm; frequência respiratória de 40 ipm; e saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente, sem dispneia. Fontanela plana sem alterações, ativo e reativo. Considerando, nesse caso hipotético, a possibilidade de um diagnóstico de BRUE (Brief Resolved Unexplained Event), assinale a alternativa correta.
Lactente >60 dias, evento breve resolvido (cianose, hipotonia), sem achados preocupantes = BRUE de baixo risco.
O caso descreve um lactente de 5 meses com um evento breve, resolvido e inexplicado (BRUE), caracterizado por cianose e hipotonia com melhora espontânea. A ausência de fatores de risco (idade > 60 dias, ausência de prematuridade, exame físico normal, sem achados preocupantes) o classifica como BRUE de baixo risco, o que implica uma abordagem menos invasiva.
O Brief Resolved Unexplained Event (BRUE) é uma nova terminologia introduzida para substituir o antigo termo "Evento Aparentemente Fatal" (ALTE), visando uma abordagem mais precisa e baseada em risco para lactentes que apresentam episódios súbitos e breves de alteração de cor, respiração, tônus ou nível de responsividade, com resolução espontânea. A importância clínica reside na necessidade de diferenciar eventos benignos de condições subjacentes graves. A fisiopatologia do BRUE é heterogênea e muitas vezes permanece inexplicada. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. Os critérios para BRUE de baixo risco incluem idade > 60 dias, ausência de prematuridade, ausência de história familiar de morte súbita inexplicada, ausência de achados preocupantes no exame físico e ausência de necessidade de reanimação cardiopulmonar por profissional de saúde. A conduta para BRUE de baixo risco é menos invasiva, focando na observação, educação dos pais e, por vezes, exames complementares mínimos como ECG e oximetria de pulso. Evitar exames desnecessários é crucial para reduzir a ansiedade dos pais e os custos de saúde, enquanto se mantém a vigilância para sinais de alerta.
BRUE é um evento súbito, breve e resolvido em lactentes <1 ano, com alteração de respiração, cor, tônus ou nível de responsividade, que retorna ao normal e não tem explicação clara após avaliação inicial.
BRUE de baixo risco ocorre em lactentes >60 dias, sem prematuridade, sem história familiar de morte súbita, sem achados preocupantes ao exame físico e sem necessidade de RCP por profissional. Alto risco inclui qualquer um desses fatores.
Para BRUE de baixo risco, a conduta inicial geralmente envolve observação, educação dos pais, e pode incluir ECG e oximetria de pulso, evitando investigações invasivas desnecessárias.
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