BRUE em Lactentes: Diagnóstico e Manejo de Baixo Risco

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Lactente de 4 meses, masculino, deu entrada em serviço de emergência pediátrica, pois os pais perceberam que o menor havia ficado inicialmente pálido e depois com leve cianose em lábios, quando estava deitado no berço em posição supina. Lactente no momento da consulta estava acordado, mamando e com bom estado geral. Exame clínico evidenciou frequência respiratória de 34 movimentos por minuto, sem dispneia, corado, acianótico, afebril, hidratado, fontanela anterior normotensa, auscultas pulmonar e cardíaca sem alterações, oximetria de pulso de 98% e frequência cardíaca com 130 batimentos por minuto, além de tônus adequado para a idade. Glicemia capilar realizada na chegada à emergência registrou um valor de 72 mg/dL. Durante anamnese mais detalhada, pediatra fez alguns questionamentos e identificou que: os sinais observados pelos pais duraram menos que 30 segundos; menor está em aleitamento materno exclusivo e com ganho de peso adequado; nunca apresentou episódio semelhante ao observado hoje, nem mesmo relatos de engasgos, alteração súbita do tônus ou irritabilidade; não necessitou de manobras de reanimação cardiopulmonar antes da chegada ao hospital; gestação sem intercorrências e nascido a termo com peso de 3,5 kg. Além disso, o lactente não apresenta nenhum sinal/ sintoma de infecção respiratória ou gastrointestinal, nem mesmo febre nos últimos 14 dias. Este é o primeiro filho do casal, e os pais não apresentam consanguinidade. Após 4 horas de observação na emergência, lactente estava dormindo nos braços da mãe e com bom estado geral. Diante do exposto, qual diagnóstico mais adequado/conduta o pediatra de plantão deverá realizar?

Alternativas

  1. A) BRUE, evento inexplicado brevemente resolvido, é um diagnóstico provável, devendo o pediatra dar alta hospitalar, orientando sobre sinais de alarme, além de ensinar manobras de reanimação, e que o menor seja reavaliado a nível ambulatorial no dia seguinte.
  2. B) Internar o lactente para agilizar exames, entre os quais um videodeglutograma, e iniciar inibidor da bomba de prótons, pois disfagia ou doença do refluxo gastroesofágico são suspeitas diagnósticas fortes diante do exposto acima.
  3. C) Iniciar inibidor da bomba de prótons e agendar pHmetria a nível ambulatorial, além de encaminhar para um gastropediatra.
  4. D) Pensar em epilepsia e iniciar ácido valproico, sem a necessidade de realizar exame de imagem do cérebro ou eletroencefalograma na emergência.
  5. E) Pela gravidade do evento e idade do menor, pensar em sepse sem sinais localizatórios, colher hemograma, hemocultura, proteína C reativa e sumário de urina e iniciar antibioticoterapia em regime hospitalar, antes mesmo dos resultados destes.

Pérola Clínica

BRUE (Evento Breve Inexplicado Resolvido) = palidez/cianose < 30s, sem RCP, sem comorbidades, > 60 dias → Baixo risco, alta com orientações.

Resumo-Chave

O BRUE (Brief Resolved Unexplained Event) substituiu o ALTE (Apparent Life-Threatening Event) e é diagnosticado quando um evento breve e resolvido não tem causa identificável. Critérios de baixo risco (idade > 60 dias, sem comorbidades, duração < 30s, sem RCP, sem eventos recorrentes) permitem alta com orientações e acompanhamento ambulatorial.

Contexto Educacional

O Evento Breve Inexplicado Resolvido (BRUE, do inglês Brief Resolved Unexplained Event) é um termo introduzido para substituir o antigo Evento Aparentemente Ameaçador à Vida (ALTE), buscando uma abordagem mais objetiva e baseada em risco. Um BRUE é caracterizado por um evento súbito, breve (geralmente < 30 segundos) e resolvido, envolvendo uma mudança na respiração, coloração, tônus muscular ou nível de responsividade, sem uma explicação clara após uma avaliação clínica. A chave para o manejo do BRUE é a estratificação de risco. Lactentes com BRUE de baixo risco (idade > 60 dias, primeiro evento, duração < 30 segundos, sem necessidade de reanimação por profissional, ausência de achados preocupantes no exame físico e histórico) podem ser observados por um curto período na emergência (1-4 horas) e, se permanecerem assintomáticos, receber alta hospitalar. Exames complementares extensos não são recomendados para este grupo. A conduta para BRUE de baixo risco inclui a educação dos pais sobre o evento, sinais de alarme para retorno ao hospital e, idealmente, o treinamento em manobras de reanimação cardiopulmonar pediátrica. O acompanhamento ambulatorial é recomendado para reavaliação. É crucial evitar a superinvestigação e a internação desnecessária, que podem gerar ansiedade nos pais e expor a criança a procedimentos invasivos sem benefício comprovado.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre BRUE e ALTE?

O BRUE (Brief Resolved Unexplained Event) é um diagnóstico retrospectivo para eventos breves e resolvidos sem causa identificável, enquanto ALTE (Apparent Life-Threatening Event) era um termo descritivo para eventos que assustavam os cuidadores, mas não necessariamente inexplicados.

Quais são os critérios de baixo risco para BRUE?

Os critérios de baixo risco incluem idade > 60 dias, idade gestacional ≥ 32 semanas e idade pós-concepcional ≥ 45 semanas, primeiro evento, duração < 30 segundos, sem necessidade de RCP por profissional, ausência de achados preocupantes no exame físico e histórico.

Qual a conduta inicial para um lactente com BRUE de baixo risco?

Para BRUE de baixo risco, a conduta é observação por 1-4 horas, sem necessidade de exames complementares extensos, seguida de alta com orientações aos pais sobre sinais de alarme, manobras de reanimação e acompanhamento ambulatorial.

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