BRUE/ALTE em Lactentes: Critérios Diagnósticos Essenciais

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mãe chega à Unidade de Emergência Pediátrica relatando que seu filho de três meses apresentou meia hora atrás um episódio súbito de palidez da pele e diminuição das reações aos estímulos com duração de menos de um minuto. Não houve intervenção alguma e o lactente recuperou-se espontaneamente. Exame físico: sem alterações. PARA A CARACTERIZAÇÃO DE EVENTO COM RISCO IMINENTE À VIDA (“ALTE”) OU EVENTO NÃO EXPLICADO DE RÁPIDA RESOLUÇÃO (“BRUE”), HÁ NECESSIDADE DA PRESENÇA ADICIONAL DOS SEGUINTES SINTOMAS:

Alternativas

  1. A) Alteração do padrão respiratório e do tônus muscular.
  2. B) Regurgitação e alteração do padrão respiratório.
  3. C) Diminuição da sucção e alteração do tônus muscular.
  4. D) Tosse paroxística e alteração do padrão respiratório.

Pérola Clínica

BRUE/ALTE: Requer alteração respiratória, cianose/palidez, alteração tônus muscular ou nível de consciência.

Resumo-Chave

O caso descrito é um evento breve e resolvido, mas para ser classificado como BRUE (Brief Resolved Unexplained Event) ou ALTE (Apparent Life-Threatening Event), é necessário que o episódio inclua pelo menos um dos seguintes: cianose ou palidez, alteração do padrão respiratório, alteração do tônus muscular ou alteração do nível de consciência.

Contexto Educacional

Os eventos de rápida resolução em lactentes são uma preocupação comum para pais e profissionais de saúde. Historicamente, o termo ALTE (Apparent Life-Threatening Event) era usado para descrever um episódio assustador para o observador, caracterizado por uma combinação de apneia, mudança de cor (cianose ou palidez), alteração do tônus muscular e engasgos ou asfixia. Mais recentemente, a American Academy of Pediatrics (AAP) introduziu o termo BRUE (Brief Resolved Unexplained Event) para lactentes com menos de 1 ano de idade, que são eventos breves, resolvidos e inexplicados, com critérios mais objetivos para estratificação de risco. Para que um evento seja classificado como BRUE, ele deve ter duração inferior a 1 minuto e envolver um ou mais dos seguintes: cianose ou palidez, alteração do padrão respiratório (apneia central, obstrutiva ou mista, respiração irregular), alteração do tônus muscular (hipotonia ou hipertonia) ou alteração do nível de consciência. A ausência desses sinais adicionais, como apenas palidez transitória sem outras alterações, pode indicar um evento benigno ou uma condição menos grave. A avaliação de um lactente pós-BRUE é crucial para identificar causas subjacentes e estratificar o risco de recorrência ou eventos adversos graves. A estratificação de risco (baixo ou alto risco) é fundamental para guiar a conduta. Lactentes de baixo risco podem ser liberados após avaliação e orientação aos pais, enquanto os de alto risco (ex: idade < 2 meses, história de prematuridade, BRUE recorrente) geralmente requerem internação para monitorização e investigação mais aprofundada. A investigação pode incluir exames laboratoriais, eletrocardiograma, eletroencefalograma e estudos de imagem, dependendo da suspeita clínica. O objetivo é descartar condições graves como infecções, distúrbios metabólicos, arritmias cardíacas ou convulsões, e fornecer tranquilidade aos pais.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre ALTE e BRUE?

ALTE (Apparent Life-Threatening Event) era um termo mais amplo. BRUE (Brief Resolved Unexplained Event) é um termo mais recente e específico, usado para eventos em lactentes <1 ano que são breves, resolvidos e inexplicados, com critérios mais definidos para estratificação de risco.

Quais os principais sintomas que caracterizam um BRUE?

Para ser classificado como BRUE, o evento deve incluir um ou mais dos seguintes: cianose ou palidez, alteração do padrão respiratório (apneia, respiração irregular), alteração do tônus muscular (hipotonia ou hipertonia) ou alteração do nível de consciência.

Qual a importância da estratificação de risco em um lactente com BRUE?

A estratificação de risco (baixo ou alto risco) é crucial para determinar a necessidade de internação, monitorização e exames complementares, visando identificar causas subjacentes e prevenir eventos futuros.

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