HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025
Lactente, sexo masculino, com 9 meses de idade, admitido no pronto-socorro com história de tosse há três dias. A mãe relata que a criança está mais pálida, mais sonolenta e com dificuldade para respirar, a ponto de impedir a ingestão dos alimentos. Ao exame físico, a criança apresenta-se em regular estado geral, com discreta cianose de extremidades, afebril, com sibilância e frequência respiratória de 62 irpm. Há tiragem intercostal e subcostal. Uma radiografia de tórax na posição anteroposterior revela apenas retificação dos arcos costais. Sobre esse quadro clínico, assinale a afirmativa correta.
Lactente com sibilância + tiragem + taquipneia + cianose + sonolência → Bronquiolite grave = Internação, hidratação e oxigenioterapia.
O quadro clínico descrito, com desconforto respiratório grave (taquipneia, tiragem, cianose, dificuldade para alimentar, sonolência) em um lactente com sibilância, é altamente sugestivo de bronquiolite viral grave. Nesses casos, a conduta principal é o suporte, que inclui internação para monitorização, manutenção da hidratação e oxigenioterapia para corrigir a hipoxemia, sem indicação rotineira de antibióticos ou corticosteroides.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes e crianças pequenas, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o agente etiológico mais comum. Caracteriza-se por inflamação e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando a edema, hipersecreção de muco e broncoespasmo, resultando em obstrução das pequenas vias aéreas. A doença atinge seu pico de incidência nos primeiros seis meses de vida e é uma causa frequente de hospitalização pediátrica, especialmente durante os meses de inverno. O diagnóstico da bronquiolite é clínico, baseado na história de pródromos virais (rinorreia, tosse) seguidos por desconforto respiratório (taquipneia, sibilância, tiragem, crepitações). A radiografia de tórax geralmente mostra hiperinsuflação pulmonar (retificação dos arcos costais, horizontalização das costelas, diafragmas rebaixados), mas não é essencial para o diagnóstico e deve ser solicitada apenas em casos atípicos ou para excluir outras condições. Os sinais de gravidade, como taquipneia acentuada, cianose, letargia, dificuldade para se alimentar e apneia, indicam a necessidade de internação e monitorização rigorosa. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte. Isso inclui a manutenção de hidratação adequada (oral ou intravenosa), oxigenioterapia para corrigir a hipoxemia (alvo de saturação >90-92%), e desobstrução das vias aéreas superiores. Não há evidências que suportem o uso rotineiro de broncodilatadores, corticosteroides ou antibióticos na maioria dos casos de bronquiolite viral. A internação é indicada para lactentes com sinais de gravidade, desidratação, apneia, hipoxemia persistente ou fatores de risco para doença grave. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns lactentes podem apresentar sibilância recorrente na infância.
Os sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada (FR > 60 irpm), tiragem intercostal e subcostal, batimento de asa de nariz, gemência, cianose, dificuldade para se alimentar, letargia ou irritabilidade, e apneia. A presença de qualquer um desses sinais indica a necessidade de internação e suporte intensivo.
A conduta inicial para bronquiolite grave é a internação hospitalar para monitorização, suporte respiratório com oxigenioterapia para manter saturação >90-92%, e manutenção da hidratação, preferencialmente por via oral ou, se necessário, intravenosa. A aspiração de vias aéreas superiores pode ser útil para desobstruir.
A bronquiolite é predominantemente causada por vírus (principalmente VSR), e antibióticos não têm eficácia contra infecções virais. Corticosteroides também não demonstraram benefício consistente na maioria dos casos de bronquiolite viral, sendo reservados para situações específicas como suspeita de asma ou coinfecção bacteriana.
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