Bronquiolite Grave: Manejo da Desidratação em Lactentes

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Lactente do sexo masculino, previamente hígido, de três meses de idade, apresentou um pico febril de 38 ºC há três dias e tem evoluído com coriza e tosse. Há um dia, a mãe relata piora na dificuldade para mamar e mais cansaço. No exame físico, encontra-se com frequência respiratória de 70 irpm, saturação de 89% em ar ambiente e com sinais de desidratação de algum grau.Assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) Oxigenioterapia, nesse momento não é indicada.
  2. B) Haveria benefício de corticosteroide por via endovenosa.
  3. C) Recomenda-se prova terapêutica com beta2-adrenérgico por via inalatória.
  4. D) Pelo risco de secreção inapropriada de hormônio antidiurético, é recomendável a utilização de um soro de manutenção isotônico.
  5. E) Não há indicação de internação, pois o quadro é viral e auto-limitado.

Pérola Clínica

Bronquiolite grave com desidratação → fluidoterapia isotônica para evitar SIADH e hiponatremia.

Resumo-Chave

Em lactentes com bronquiolite grave e desidratação, a fluidoterapia deve ser isotônica (ex: soro fisiológico 0,9%). Isso é crucial para prevenir a hiponatremia dilucional, um risco aumentado devido à possível Síndrome da Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH) associada à doença respiratória.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que afeta as pequenas vias aéreas. É a principal causa de hospitalização em crianças menores de um ano. A doença se manifesta com sintomas de IVAS superior, seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e, em casos graves, desconforto respiratório e hipoxemia. A fisiopatologia envolve inflamação e edema das bronquíolos, levando a obstrução e aprisionamento de ar. O diagnóstico é clínico, baseado na idade do paciente, sintomas e exame físico. A suspeita de gravidade surge com taquipneia acentuada, saturação de oxigênio abaixo de 90-92%, dificuldade para alimentação e sinais de desidratação, indicando a necessidade de internação. O tratamento da bronquiolite é principalmente de suporte. Isso inclui oxigenioterapia para manter a saturação acima de 90-92%, hidratação adequada (preferencialmente oral, mas endovenosa em casos de desidratação ou dificuldade de alimentação) e aspiração de vias aéreas superiores. É crucial usar fluidos isotônicos para manutenção em pacientes internados, devido ao risco de SIADH e hiponatremia. Corticosteroides e broncodilatadores não são recomendados rotineiramente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade na bronquiolite viral aguda em lactentes?

Sinais de gravidade incluem taquipneia (>60 irpm em lactentes), saturação de oxigênio <90-92% em ar ambiente, dificuldade para mamar, letargia e sinais de desidratação. O esforço respiratório aumentado também é um indicativo importante.

Por que a fluidoterapia isotônica é recomendada na bronquiolite grave?

A fluidoterapia isotônica é recomendada para evitar a hiponatremia dilucional, que pode ser precipitada pela Síndrome da Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH), comum em doenças respiratórias graves. Fluidos hipotônicos aumentariam esse risco.

Quais tratamentos não são indicados rotineiramente para bronquiolite viral aguda?

Corticosteroides, broncodilatadores (beta2-adrenérgicos) e antibióticos não são recomendados rotineiramente na bronquiolite viral aguda, pois não demonstraram benefício consistente e podem ter efeitos adversos. A oxigenioterapia é indicada se SatO2 <90-92%.

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