Bronquiolite Grave em Lactentes: Manejo e Sinais de Alerta

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Criança, 3 meses de vida, trazida por seus pais ao pronto-socorro com história, há 4 dias, de cansaço progressivo às mamadas. Contam 1 episódio febril há 5 dias e coriza nasal, piorando hoje. Notaram que trocaram menos vezes as fraldas hoje e se queixam que a criança está mais sonolenta. Negam antecedentes pessoais. Criança de termo, sendo a primeira vez que vem ao hospital após nascimento. Nega alergias e sintomas gastrointestinais. Ao exame clínico: acordado, com coriza, taquidispneico, com tempo expiratório aumentado, sibilos difusos na ausculta pulmonar e frequência respiratória = 70 movimentos/minuto, saturação de O₂ = 88% em ar ambiente. Taquicárdico, com pulsoos centrais e periféricos cheios, com tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Qual deve ser a conduta para esta criança?

Alternativas

  1. A) Orientar a realizar lavagem nasal e inalação com soro fisiológico antes das mamadas. Garantir direito de retorno, se necessário.
  2. B) Indicada lavagem nasal, inalação com beta 2-agonista de curta duração, hidratação oral, com possível acompanhamento ambulatorial a seguir.
  3. C) Internação para suporte respiratório, antibioticoterapia e beta 2-agonista de curta duração. Manter hidratação oral, se paciente acordado.
  4. D) Internação hospitalar, suporte respiratório e hidratação endovenosa ou por sonda, sendo contraindicado hidratação oral.

Pérola Clínica

Lactente < 6m com desconforto respiratório grave (FR > 60, SatO₂ < 90%, sonolência) → internação, suporte O₂, hidratação IV/SNE.

Resumo-Chave

Este lactente de 3 meses apresenta sinais de bronquiolite viral aguda grave, com taquipneia (FR 70), hipoxemia (SatO₂ 88%) e sinais de desidratação/letargia (sonolência, trocou menos fraldas). A hidratação oral é contraindicada devido ao risco de aspiração e à dificuldade de ingesta pela taquipneia, sendo essencial o suporte respiratório e hidratação parenteral.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida, causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a sibilância, tosse e desconforto respiratório. É uma das principais causas de internação hospitalar em crianças menores de um ano. O diagnóstico é clínico, baseado na história de pródromo viral seguido de desconforto respiratório e sibilância. A fisiopatologia envolve edema da mucosa, hipersecreção e necrose epitelial, resultando em aprisionamento de ar e hipoxemia. Sinais de alerta para gravidade incluem taquipneia, hipoxemia, retrações, letargia e dificuldade de alimentação. O tratamento é primariamente de suporte, visando manter a oxigenação e a hidratação adequadas. Isso pode incluir oxigenoterapia, aspiração de vias aéreas superiores e hidratação parenteral ou por sonda em casos de taquipneia ou dificuldade de ingesta. A internação é indicada para lactentes com sinais de gravidade, como hipoxemia persistente, desconforto respiratório moderado a grave ou desidratação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de gravidade na bronquiolite em lactentes?

Os principais sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada (FR > 60-70), hipoxemia (SatO₂ < 90-92%), retrações subcostais e intercostais, batimento de asa nasal, cianose, letargia e dificuldade para se alimentar.

Quando a hidratação oral é contraindicada na bronquiolite?

A hidratação oral é contraindicada em lactentes com bronquiolite que apresentam taquipneia significativa (geralmente FR > 60), desconforto respiratório grave ou sonolência, devido ao risco aumentado de aspiração e à ineficácia da ingesta.

Qual o papel dos broncodilatadores na bronquiolite?

Os broncodilatadores (beta 2-agonistas) não são recomendados rotineiramente para o tratamento da bronquiolite, pois a fisiopatologia da doença envolve principalmente edema e necrose epitelial, e não broncoespasmo significativo. Seu uso deve ser individualizado e testado, sendo descontinuado se não houver resposta.

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