UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Lactente de 6 semanas de vida, nascido a termo, sem intercorrências perinatais, com vacinas em dia e bom ganho de peso, em aleitamento materno exclusivo, foi trazido à Emergência por bronquiolite viral aguda e, no momento, encontra-se internado na Enfermaria Pediátrica. Devido a taquipneia, foi indicada dieta por sonda nasogástrica. Vinha recebendo oxigênio suplementar por cateter nasal a 1 l/min, pois a oximetria de pulso à admissão indicou saturação de 91% em ar ambiente. No quinto dia de internação, o paciente, que até então não tivera febre, apresentou três episódios febris (38º, 38,5º e 38,9º C). Todas as alternativas abaixo representam justificativas para o quadro de febre, exceto uma. Assinale-a.
Febre persistente em bronquiolite viral após 3-5 dias → investigar infecção bacteriana secundária/nosocomial.
A bronquiolite viral aguda, especialmente em lactentes jovens, geralmente cursa com febre nos primeiros dias. No entanto, a persistência ou o surgimento de febre após o 3º-5º dia de internação, como no caso, sugere uma complicação bacteriana secundária (pneumonia, OMA, ITU) ou uma nova infecção nosocomial, e não a febre da bronquiolite primária.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, caracterizada por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas. A febre é um sintoma comum nos primeiros dias da doença, geralmente de baixa intensidade e autolimitada. No entanto, a persistência ou o surgimento de febre após o terceiro a quinto dia de internação ou de evolução da doença deve levantar a suspeita de complicações. A fisiopatologia da bronquiolite envolve a replicação viral e a resposta inflamatória, que podem predispor o trato respiratório a infecções bacterianas secundárias. O epitélio respiratório danificado e a estase de secreções favorecem a colonização e proliferação bacteriana. Além disso, o ambiente hospitalar aumenta o risco de infecções nosocomiais, sejam elas virais ou bacterianas, em um paciente já debilitado. O manejo de um lactente com bronquiolite que desenvolve febre tardia exige uma investigação ativa para descartar infecções bacterianas secundárias, como pneumonia, otite média aguda ou infecção do trato urinário. Exames como hemograma, culturas (sangue, urina) e radiografia de tórax podem ser necessários. O tratamento, se confirmada a infecção bacteriana, envolverá antibioticoterapia adequada, além do suporte para a bronquiolite.
Sinais incluem febre persistente ou recorrente após os primeiros dias, piora do estado geral, aumento do trabalho respiratório, taquicardia, leucocitose e infiltrados novos na radiografia de tórax.
A febre da bronquiolite viral geralmente ocorre nos primeiros 2-3 dias. O surgimento de febre após o 3º-5º dia sugere uma nova etiologia, como uma infecção bacteriana secundária (pneumonia, otite, ITU) ou uma infecção nosocomial.
As infecções bacterianas mais comuns são pneumonia bacteriana (frequentemente por S. pneumoniae, H. influenzae), otite média aguda e infecção do trato urinário, especialmente em lactentes jovens.
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