SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Uma criança de 6 meses de vida foi encaminhada à unidade de pronto atendimento porque iniciou quadro de tosse, coriza e febre há quatro dias e, há um dia, evoluiu com sibilos respiratórios difusos, dispneia e desconforto respiratório. Ao exame físico, encontra-se em BEG, corada, hidratada; cardio: bulhas rítmicas normofonéticas sem sopros audíveis; pulmonar: murmúrio ventricular presente, simétrico, com sibilos difusos e retração subcostal. Demonstra abdome plano, RHA+, flácido, sem visceromegalias, indolor. Constatam-se otoscopia: membrana timpânica hialina, sem abaulamento, sem hiperemia de conduto, sem outras alterações bilateralmente; oroscopia: sem placas, discreta hiperemia, sem lesões ou outras alterações; pulsos cheios, tempo de enchimento capilar < 3 seg. Ao exame neurológico, apresenta-se em Glasgow 15, ativo, reativo ao exame, com pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem sinais focais, sem sinais meníngeos, com fontanela anterior normotensa, pele íntegra e anictérico. Observam-se FC = 140 bpm; FR = 55 irpm; SatO2 = 90% em AA; T = 37,5 ºC. Raios X de tórax indicaram hipertransparência, retificação do diafragma, aumento do diâmetro anterossuperior do tórax.Nesse caso clínico, o quadro sugere
Lactente <1 ano com pródromos virais + sibilância difusa + desconforto respiratório = Bronquiolite Viral Aguda.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de sibilância em lactentes menores de 2 anos, especialmente nos primeiros 6 meses. O quadro clínico típico inclui pródromos de infecção de via aérea superior, seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e desconforto respiratório, com achados radiológicos de hiperinsuflação.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum que afeta as pequenas vias aéreas de lactentes e crianças jovens, sendo a principal causa de hospitalização em menores de um ano. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente, especialmente durante os meses de inverno. A doença é caracterizada por inflamação, edema e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando à obstrução das vias aéreas e aprisionamento de ar. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de pródromos virais seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e desconforto respiratório. O exame físico revela sibilância difusa, crepitações e sinais de esforço respiratório. Exames complementares como a radiografia de tórax podem mostrar hiperinsuflação, retificação diafragmática e aumento do diâmetro anteroposterior, mas não são essenciais para o diagnóstico e devem ser solicitados apenas em casos atípicos ou para descartar outras condições. A oximetria de pulso é crucial para avaliar a gravidade da hipoxemia. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte, com foco na manutenção da oxigenação e hidratação. A oxigenoterapia é indicada para pacientes com saturação de oxigênio abaixo de 90-92%. A hidratação oral ou intravenosa deve ser garantida. Não há evidências robustas para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja suspeita de coinfecção bacteriana. A prevenção com palivizumabe é reservada para grupos de alto risco.
Os principais sinais e sintomas incluem pródromos de IVAS (tosse, coriza, febre baixa), seguidos por taquipneia, sibilância difusa, crepitações, e sinais de desconforto respiratório como tiragem intercostal e subcostal. A hipoxemia é comum em casos moderados a graves.
A conduta inicial envolve suporte respiratório, principalmente oxigenoterapia para manter a saturação de oxigênio acima de 90-92%. Hidratação adequada e suporte nutricional também são importantes. Broncodilatadores e corticoides geralmente não são recomendados de rotina.
A bronquiolite tipicamente apresenta sibilância difusa e hiperinsuflação pulmonar no RX, enquanto a pneumonia bacteriana cursa com febre alta, taquipneia, crepitações localizadas e infiltrados pulmonares focais no RX. A ausência de resposta a broncodilatadores e o padrão viral do pródromo favorecem a bronquiolite.
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