HMV/Moinhos - Hospital Moinhos de Vento (RS) — Prova 2015
Lactente de dois meses, hígido previamente, proucura atendimento por disfunção respiratória de inicio há 24 horas e gemência. A mãe refere quadro de coriza e tosse há quatro dias. Ao exame físico apresenta: frequência respiratória 70 movimentos por minuto, tiragem subcostal, oximetria de pulso de 90% em ar ambiente. O raio X de tórax evidencia hiperinsuflação e discreto infiltrado. Baseado na hipótese diagnóstica MAIS PROVÁVEL, qual o tratamento MAIS ADEQUADO a ser instituido?
Lactente < 6 meses + quadro viral + desconforto respiratório + SpO2 < 92% → Bronquiolite grave = Hospitalização, O2, hidratação.
O quadro clínico (lactente de 2 meses, pródromos virais, desconforto respiratório, taquipneia, tiragem, hipoxemia e hiperinsuflação no RX) é altamente sugestivo de bronquiolite viral aguda grave. O tratamento é de suporte, com hospitalização, oxigenoterapia para hipoxemia e hidratação adequada, sem indicação rotineira de antibióticos ou corticoides.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, especialmente nos primeiros seis meses de vida, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a sibilância, tosse e desconforto respiratório. A epidemiologia mostra picos de incidência nos meses de inverno. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de pródromos virais (coriza, tosse) seguidos por desconforto respiratório (taquipneia, tiragem, sibilância, gemência). A oximetria de pulso é crucial para avaliar a gravidade, e um SpO2 de 90% em ar ambiente indica hipoxemia significativa. O raio X de tórax pode mostrar hiperinsuflação e, por vezes, infiltrados peribrônquicos, mas não é essencial para o diagnóstico e não diferencia a etiologia viral de bacteriana. O tratamento da bronquiolite viral aguda é primariamente de suporte. A hospitalização é indicada para lactentes com sinais de gravidade, como hipoxemia, desidratação ou desconforto respiratório importante. As intervenções incluem oxigenoterapia para manter a saturação acima de 92%, hidratação adequada para prevenir desidratação e fluidificação de secreções, e aspiração de vias aéreas superiores. Não há evidências que suportem o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja suspeita de coinfecção bacteriana ou comorbidades específicas.
Sinais de gravidade incluem taquipneia (>60 rpm), tiragem subcostal ou intercostal, batimento de asa de nariz, gemência, cianose, SpO2 < 92% em ar ambiente, apneia e recusa alimentar, indicando a necessidade de internação.
O tratamento é de suporte, incluindo hospitalização, oxigenoterapia para manter SpO2 > 92%, hidratação adequada (oral ou venosa) e aspiração de vias aéreas superiores, se necessário, para aliviar o desconforto respiratório.
A bronquiolite é uma infecção viral, e antibióticos não têm eficácia. Corticoides não demonstraram benefício consistente na maioria dos casos e podem ter efeitos adversos, sendo reservados para situações muito específicas ou comorbidades.
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