Bronquiolite Viral: Diagnóstico e Exame de Escolha em Lactentes

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023

Enunciado

Lactente masculino, 8 meses de idade, com história de tosse, coriza e febre, há 3 dias, evoluindo com dispneia progressiva, há 24 horas. Contatos domiciliares com sintomas respiratórios. 4º dia de sintomas. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o exame de escolha considerando maior especificidade à sua hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Hemograma com plaquetas.
  2. B) Proteína C reativa e Pró-calcitonia.
  3. C) Reação de cadeia de polimerase para vírus respiratórios.
  4. D) Teste rápido para SARS-CoV-2 e Influenza.
  5. E) Tomografia computadorizada de tórax com contraste.

Pérola Clínica

Lactente com dispneia e sintomas respiratórios → PCR para vírus respiratórios é o exame mais específico para bronquiolite viral.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse, coriza, febre e dispneia progressiva em lactente é altamente sugestivo de bronquiolite viral aguda. Para confirmar a etiologia viral e identificar o agente específico com maior sensibilidade e especificidade, a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) para vírus respiratórios é o exame de escolha, pois detecta o material genético viral.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, caracterizada por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas. É a principal causa de hospitalização em crianças menores de um ano. A epidemiologia mostra picos sazonais, principalmente no inverno, com o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) sendo o agente mais frequente. A importância clínica reside na morbidade significativa, com risco de desconforto respiratório grave, falência respiratória e necessidade de suporte ventilatório, especialmente em prematuros e lactentes com comorbidades. A fisiopatologia envolve a replicação viral nas células epiteliais das vias aéreas, levando a necrose celular, edema, hipersecreção de muco e broncoespasmo, resultando em obstrução das bronquíolos. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história de sintomas respiratórios superiores (tosse, coriza) evoluindo para dispneia, taquipneia, sibilância e crepitações à ausculta em lactentes. A suspeita deve surgir em qualquer lactente com quadro gripal que evolui com dificuldade respiratória. Exames complementares como a PCR para vírus respiratórios são úteis para identificar o agente etiológico com alta especificidade, o que pode auxiliar no manejo de coorte e controle de infecção, mas não alteram a conduta na maioria dos casos leves a moderados. O tratamento da bronquiolite é principalmente de suporte, incluindo hidratação adequada, oxigenoterapia se houver hipoxemia e aspiração de vias aéreas superiores. Não há evidências para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja suspeita de coinfecção bacteriana. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos lactentes se recuperando em 1-2 semanas, mas alguns podem desenvolver sibilância recorrente na infância. A prevenção com palivizumabe é indicada para grupos de alto risco. É crucial para o residente reconhecer o quadro clínico e evitar exames e tratamentos desnecessários, focando no suporte e monitoramento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da bronquiolite viral aguda?

O principal agente etiológico da bronquiolite viral aguda é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por cerca de 50-80% dos casos. Outros vírus importantes incluem rinovírus, metapneumovírus humano, parainfluenza e, mais recentemente, influenza e SARS-CoV-2.

Quando a PCR para vírus respiratórios é indicada na bronquiolite?

A PCR para vírus respiratórios é indicada quando o diagnóstico etiológico é importante para o manejo clínico (ex: coorte de pacientes, decisão de alta, uso de antivirais específicos se disponíveis), para controle de infecção hospitalar ou em casos de pesquisa. Não é rotineiramente indicada para todos os casos de bronquiolite leve, que é um diagnóstico clínico.

Quais exames não são recomendados rotineiramente para o diagnóstico de bronquiolite?

Exames como radiografia de tórax, hemograma, proteína C reativa e procalcitonina não são recomendados rotineiramente para o diagnóstico de bronquiolite viral não complicada, pois não alteram a conduta na maioria dos casos e podem levar a intervenções desnecessárias. A radiografia pode ser considerada em casos atípicos ou suspeita de complicações.

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