MedEvo Simulado — Prova 2026
Um lactente de 5 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, é levado à Unidade de Pronto Atendimento com história de coriza, espirros e febre baixa há três dias. Há 24 horas, a mãe notou o surgimento de tosse persistente, respiração rápida e dificuldade para realizar as mamadas, com episódios de cansaço durante a sucção. Ao exame físico, o paciente apresenta-se irritável, com frequência respiratória de 62 incursões por minuto, frequência cardíaca de 148 batimentos por minuto e saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente. À auscultação pulmonar, observam-se sibilos expiratórios disseminados e estertores finos crepitantes em ambas as bases, além de tiragem subcostal e intercostal moderada. O tempo de enchimento capilar é de 2 segundos e a oroscopia é normal. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta mais adequada é:
Bronquiolite = Suporte (O2 se SatO2 < 90-92% + Limpeza Nasal). Evite Beta-2 e Corticoides.
A bronquiolite viral aguda é uma doença autolimitada onde o pilar do tratamento é o suporte clínico, focando na oxigenação e hidratação adequadas.
A Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é a principal causa de hospitalização em lactentes menores de um ano, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o agente etiológico mais comum. A fisiopatologia envolve inflamação aguda, edema e necrose das células epiteliais das pequenas vias aéreas, levando à obstrução por debris celulares e muco. Clinicamente, manifesta-se como um pródromo viral seguido de sibilância, taquipneia e sinais de esforço respiratório. O diagnóstico é eminentemente clínico. O manejo baseia-se em medidas de suporte: manutenção da estabilidade hemodinâmica, hidratação (frequentemente por sonda nasogástrica se houver taquipneia importante que impeça a mamada) e oxigenoterapia se necessário. A aspiração de vias aéreas superiores com solução fisiológica é crucial, pois lactentes são respiradores nasais preferenciais e a obstrução alta contribui significativamente para o desconforto respiratório.
A oxigenoterapia suplementar está indicada quando a saturação de oxigênio (SatO2) em ar ambiente permanece persistentemente abaixo de 90% a 92%, dependendo do protocolo institucional e da presença de sinais de desconforto respiratório grave. O objetivo é manter a SatO2 acima desses níveis para garantir a perfusão tecidual sem causar toxicidade por oxigênio ou suprimir o drive respiratório.
As evidências atuais, incluindo diretrizes da Academia Americana de Pediatria (AAP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), recomendam contra o uso rotineiro de broncodilatadores (como salbutamol) na bronquiolite viral aguda. Embora alguns pacientes possam ter uma resposta transitória, o uso sistemático não reduz o tempo de internação ou a necessidade de oxigênio, podendo causar efeitos colaterais como taquicardia.
A nebulização com solução salina hipertônica (3%) pode ser considerada em pacientes hospitalizados para auxiliar na depuração mucociliar e reduzir o edema da mucosa bronquiolar. No entanto, seu uso não é recomendado no pronto-atendimento, pois seu benefício é mais evidente em internações prolongadas, e os resultados em estudos clínicos são heterogêneos.
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