SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Lactente, masculino, 10 meses de idade é levado à Unidade de Pronto Atendimento com história de espirros, obstrução nasal, coriza e febre há dois dias. Há 24 horas houve piora do quadro, com tosse, taquidispneia, com uso de musculatura acessória e batimento de aleta nasal, gemência, além de hipoxemia. Ausculta pulmonar com sibilância e tempo expiratório prolongado. Rx tórax: hiperinsuflação pulmonar. A mãe relata que a criança nunca apresentou quadro semelhante. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Lactente <12m com 1º episódio de sibilância, taquidispneia e hiperinsuflação pulmonar → Bronquiolite Viral Aguda.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de sibilância e desconforto respiratório em lactentes, especialmente no primeiro ano de vida. O quadro típico inclui pródromos virais seguidos de tosse, taquipneia, sibilância, uso de musculatura acessória e, em casos graves, hipoxemia. O raio-X de tórax frequentemente mostra hiperinsuflação.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum do trato respiratório inferior que afeta principalmente lactentes e crianças pequenas, sendo a principal causa de hospitalização em menores de 1 ano. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente, responsável por 50-80% dos casos. A doença é mais prevalente nos meses de outono e inverno. A fisiopatologia envolve a inflamação e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando a edema, produção de muco e obstrução das pequenas vias aéreas. Clinicamente, após um pródromo de infecção de vias aéreas superiores, a criança desenvolve tosse, taquipneia, sibilância, crepitações e sinais de desconforto respiratório. A hipoxemia é um achado comum em casos moderados a graves. O diagnóstico é clínico, e o raio-X de tórax pode mostrar hiperinsuflação pulmonar. O tratamento é principalmente de suporte, incluindo oxigenoterapia, hidratação adequada e aspiração de secreções. Não há evidências para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos. A prevenção com palivizumabe é indicada para grupos de alto risco. O reconhecimento precoce dos sinais de gravidade e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações e reduzir a mortalidade.
Os principais sinais incluem coriza, espirros, febre baixa, tosse, taquipneia, sibilância, uso de musculatura acessória, batimento de aleta nasal e, em casos graves, gemência e hipoxemia.
O achado radiográfico mais comum é a hiperinsuflação pulmonar, que se manifesta como retificação do diafragma, aumento dos espaços intercostais e aumento da transparência dos campos pulmonares.
A bronquiolite é tipicamente o primeiro episódio de sibilância em lactentes (<12-24 meses), frequentemente associada a infecção por VSR, enquanto a asma geralmente ocorre em crianças maiores e pode ter histórico familiar de atopia.
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