UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2018
Lactente de 3 meses de idade, não vacinado, vem há três dias com tosse, febre baixa, inapetência e “cansaço” (SIC). Ao exame físico evidencia-se bom estado geral, mas taquipneia com FR de 56 irpm, batimentos de asas do nariz, tiragens intercostais, e ausculta de sibilos difusos, com expiração prolongada e estertores subcrepitantes esparsos; abdome globoso com fígado a 2 cm. Temperatura 37,9° C. O Rx de tórax revela hiperinsuflação e infiltrado difuso no campo pulmonar bilateralmente. O diagnóstico provável é:
Lactente < 1 ano com IVAS prévia, taquipneia, sibilos, tiragens e hiperinsuflação no Rx → Bronquiolite viral.
A bronquiolite viral é a causa mais comum de infecção respiratória baixa em lactentes, caracterizada por taquipneia, sibilos, tiragens e expiração prolongada, geralmente após um quadro de IVAS. O raio-X de tórax tipicamente mostra hiperinsuflação e, por vezes, infiltrado difuso, que reflete atelectasias ou inflamação intersticial.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade. É uma condição de grande importância clínica devido à sua alta morbidade e frequente necessidade de hospitalização, especialmente em prematuros e lactentes com comorbidades. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais comum, responsável por cerca de 70% dos casos. A fisiopatologia envolve a inflamação e necrose das células epiteliais das pequenas vias aéreas, levando a edema, produção de muco e obstrução. Clinicamente, o quadro se inicia com sintomas de infecção de vias aéreas superiores, progredindo para tosse, taquipneia, sibilos, tiragens e expiração prolongada. A febre geralmente é baixa. O exame físico revela sinais de desconforto respiratório e ausculta com sibilos e estertores subcrepitantes. O fígado pode estar palpável devido à hiperinsuflação pulmonar que deprime o diafragma. O diagnóstico é eminentemente clínico. O raio-X de tórax, embora não seja mandatório, pode mostrar hiperinsuflação, retificação do diafragma e, por vezes, infiltrados difusos ou atelectasias. O tratamento é de suporte, incluindo hidratação, oxigenoterapia se houver hipoxemia e aspiração de secreções. Não há evidências para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja suspeita de infecção bacteriana secundária. A prevenção é feita com palivizumabe em grupos de alto risco.
Os sintomas típicos incluem tosse, coriza, febre baixa, inapetência, e sinais de desconforto respiratório como taquipneia, batimentos de asas do nariz, tiragens intercostais, sibilos difusos e expiração prolongada. Geralmente, há um pródromo de infecção de vias aéreas superiores.
O raio-X de tórax não é rotineiramente necessário para o diagnóstico de bronquiolite, que é clínico. No entanto, quando realizado, pode revelar hiperinsuflação pulmonar, retificação do diafragma e, por vezes, infiltrados peribronquiais ou atelectasias, que são achados inespecíficos, mas compatíveis com a doença.
A bronquiolite é predominantemente uma doença viral que afeta as pequenas vias aéreas, causando sibilos e hiperinsuflação. A pneumonia, especialmente bacteriana, tende a apresentar febre mais alta, toxemia e achados focais na ausculta e radiografia (consolidações). No entanto, pode haver sobreposição, e a bronquiolite pode predispor a pneumonia bacteriana secundária.
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