UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022
Um paciente masculino, 2 meses de vida, iniciou há 2 dias com quadro de coriza, febre até 38°C e recusa alimentar. Mãe cita que há algumas horas a respiração ficou mais rápida e ofegante. Ao exame físico apresenta-se em regular estado geral, taquicardia, taquipneico, saturando 91% em ar ambiente, leve cianose perilabial, batimentos de asa de nariz, tiragens intercostais e de fúrcula moderadas. Na ausculta pulmonar estertores subcrepitantes intensos difusos. História mórbida pregressa: sem particularidades. História mórbida familiar: sem particularidades. Nasceu a termo, parto normal, sem intercorrências no mesmo e no pré-natal. Diante do quadro clínico, assinale a alternativa que indica corretamente a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial.
Lactente < 6m com dispneia, sibilância/estertores e desaturação → Bronquiolite grave = Suporte respiratório (Cânula nasal de alto fluxo).
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes. Em casos de gravidade moderada a grave, com desaturação e desconforto respiratório significativo, a cânula nasal de alto fluxo é uma intervenção inicial eficaz para melhorar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção comum do trato respiratório inferior que afeta lactentes e crianças pequenas, sendo a principal causa de hospitalização por doença respiratória nessa faixa etária. Geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), manifesta-se com um pródromo viral seguido de tosse, taquipneia, sibilância e desconforto respiratório. A epidemiologia mostra picos sazonais, principalmente no inverno. A fisiopatologia envolve a inflamação e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando a edema, hipersecreção de muco e obstrução das pequenas vias aéreas. O diagnóstico é clínico, baseado na idade do paciente, história e exame físico (taquipneia, tiragens, sibilância e estertores). A oximetria de pulso é crucial para avaliar a gravidade da hipoxemia. A conduta inicial para bronquiolite grave é o suporte respiratório. A cânula nasal de alto fluxo (CNAF) tem se mostrado eficaz, fornecendo oxigênio aquecido e umidificado com pressão positiva, o que melhora a oxigenação e reduz o trabalho respiratório. Outras medidas incluem hidratação adequada e aspiração de vias aéreas superiores. Antibióticos e broncodilatadores não são recomendados de rotina.
Critérios incluem idade < 3 meses, desaturação persistente (<90-92%), apneia, desconforto respiratório grave (tiragens intensas, batimento de asa de nariz), recusa alimentar e comorbidades.
A CNAF oferece oxigênio aquecido e umidificado com fluxo elevado, gerando uma pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), o que reduz o trabalho respiratório, melhora a oxigenação e a depuração de secreções.
O principal agente é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), mas outros vírus como rinovírus, parainfluenza e adenovírus também podem causar bronquiolite.
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