USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Lactente masculino, 2 meses de idade, nascido de termo, parto vaginal, sem intercorrências até o momento, está sendo reavaliado na retaguarda de um Pronto- Socorro. Há 4 dias iniciou quadro de coriza hialina e tosse, e há um dia evoluiu com desconforto respiratório. Apresentou febre de até 38,6°C apenas no primeiro dia de história do quadro atual. O paciente deu entrada há cerca de 10 horas e está com a seguinte prescrição: Peso 4,8 kg; No momento da sua reavaliação, o paciente está em regular estado geral, hidratado, pálido, com ausculta pulmonar com sibilos e crepitações difusas, tiragens subdiafragmática, intercostal e de fúrcula, batimento de asas nasais. FR: 88 ipm, saturação de oxigênio 90% com oferta de O2, FC: 180bpm, PA: 78/40mmHg. Sem alterações das propedêuticas cardíaca e abdominal. Tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pulsos normais, sem edema. Radiografia de tórax realizada há 15 minutos: Com relação ao suporte hídrico prescrito, está correto afirmar que:
Lactente com bronquiolite grave e taquipneia → risco de SIADH e hiponatremia; manter hidratação cautelosa.
Em lactentes com bronquiolite grave e taquipneia, há risco aumentado de SIADH e hiponatremia devido ao estresse respiratório. A hidratação deve ser cuidadosa, evitando excesso de fluidos hipotônicos para prevenir complicações.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, frequentemente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a desconforto respiratório, sibilos e crepitações. Em casos graves, como o descrito, com taquipneia, tiragens e hipoxemia, o manejo adequado do suporte hídrico é crucial para evitar complicações. Lactentes com bronquiolite grave estão sob risco de desenvolver a Síndrome da Secreção Inadequada de Hormônio Antidiurético (SIADH). O estresse respiratório, a hipoxemia e a hipercapnia podem estimular a liberação de ADH, levando à retenção de água livre e, consequentemente, à hiponatremia dilucional. A administração de fluidos hipotônicos em grandes volumes pode exacerbar essa condição, aumentando o risco de edema cerebral. Portanto, o suporte hídrico em lactentes com bronquiolite grave deve ser cuidadoso. Geralmente, recomenda-se a manutenção de fluidos intravenosos em volumes de manutenção ou ligeiramente restritos (2/3 da manutenção), utilizando soluções isotônicas (como soro fisiológico 0,9%) para prevenir a hiponatremia. A monitorização dos eletrólitos séricos e do balanço hídrico é fundamental para guiar a terapia e evitar tanto a desidratação quanto a sobrecarga hídrica.
Lactentes com bronquiolite grave, especialmente aqueles com desconforto respiratório significativo, podem desenvolver a Síndrome da Secreção Inadequada de ADH (SIADH) devido ao estresse, hipoxemia e hipercapnia. A SIADH leva à retenção de água livre e diluição do sódio sérico, resultando em hiponatremia.
O suporte hídrico deve ser cauteloso. Em casos de bronquiolite grave com taquipneia, a via oral é dificultada, e a hidratação intravenosa deve ser mantida em volumes de manutenção ou ligeiramente restritos, utilizando soluções isotônicas (como soro fisiológico 0,9%) para evitar hiponatremia.
Sinais de desidratação (mucosas secas, turgor diminuído) ou, inversamente, de sobrecarga hídrica (edema, crepitações pulmonares aumentadas) indicam a necessidade de reavaliação. A monitorização dos eletrólitos séricos, especialmente o sódio, é crucial.
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