AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2019
Paciente com três meses é admitido pela segunda vez na unidade de emergência por febrícula, tosse persistente e taquipneia. Ao exame físico, verifica-se a presença de sibilos, estertores grosseiros difusos e tiragens subcostais. Considerando-se a principal hipótese para esse quadro clínico, é correto afirmar que:
Bronquiolite = suporte clínico, otimizar V/Q, hidratação, oxigenoterapia. Corticoide/ATB não rotina.
O quadro clínico sugere bronquiolite viral aguda, comum em lactentes. O tratamento é primariamente de suporte, focando em otimizar a ventilação e perfusão através de oxigenoterapia, hidratação e desobstrução de vias aéreas, sem indicação rotineira de corticoides ou antibióticos.
A bronquiolite viral aguda é uma das infecções respiratórias mais comuns em lactentes, sendo a principal causa de hospitalização em crianças menores de um ano. Caracteriza-se por inflamação e necrose do epitélio das pequenas vias aéreas, levando a edema, hipersecreção e broncoespasmo, o que resulta em obstrução e aprisionamento aéreo. O quadro clínico típico inclui pródromos virais, tosse, taquipneia, sibilos e tiragens. A fisiopatologia da bronquiolite leva a uma desproporção entre ventilação e perfusão (V/Q). Áreas do pulmão podem estar bem perfundidas, mas mal ventiladas (shunt), ou bem ventiladas, mas mal perfundidas (espaço morto), resultando em hipoxemia. As principais medidas terapêuticas visam otimizar essa relação V/Q, garantindo uma oxigenação adequada e reduzindo o trabalho respiratório. Isso é alcançado principalmente através de suporte clínico. O tratamento da bronquiolite é essencialmente de suporte. Inclui oxigenoterapia para manter a saturação >90-92%, hidratação adequada (oral ou intravenosa), aspiração de secreções nasais e monitorização. Não há evidências que justifiquem o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides, antibióticos ou antivirais (exceto em casos específicos de RSV em pacientes de alto risco). A educação dos pais sobre os sinais de alerta e o manejo domiciliar é fundamental.
O diagnóstico é clínico, baseado em pródromos virais (coriza, tosse) seguidos de desconforto respiratório (taquipneia, tiragens) e ausculta com sibilos e/ou estertores em lactentes <2 anos, especialmente no primeiro episódio.
A oxigenoterapia é indicada para manter a saturação de oxigênio acima de 90-92%, corrigindo a hipoxemia causada pela desproporção ventilação/perfusão e reduzindo o trabalho respiratório.
Internação é indicada para lactentes com sinais de gravidade como taquipneia acentuada, tiragens importantes, cianose, saturação <90%, apneia, dificuldade de alimentação, desidratação ou idade <3 meses.
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