Bronquiolite Viral Aguda em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2018

Enunciado

Menino de 2 meses de idade foi levado pela mãe ao pronto-socorro por tosse e coriza há 3 dias, com piora do cansaço hoje, sem febre. Ele nasceu em parto cesárea, prematuro (idade gestacional de 35 semanas), com peso ao nascer de 2.600 g e boletim de Apgar de 8/9/10. Teve alta do berçário com 3 dias de vida e, desde então, está em aleitamento materno exclusivo. O pré-natal foi feito adequadamente e não houve outras intercorrências. Não tem outros antecedentes mórbidos relevantes. No exame clínico de entrada, estava em regular estado geral, ativo e reativo. Presença de tiragem subcostal e intercostal. Temperatura axilar = 36,8°C; frequência respiratória = 70 irpm; frequência cardíaca = 160 bpm; tempo de enchimento capilar = 2 segundos; saturação de oxigênio em ar ambiente = 89%. Fontanela plana e normotensa. Bulhas rítmicas normofonéticas em 2 tempos sem sopros. Ausculta pulmonar com estertores grossos, roncos e sibilos difusos. Fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito e baço palpável no rebordo costal esquerdo. Restante do exame clínico normal. Qual é a principal hipótese diagnóstica para o caso?

Alternativas

  1. A) Síndrome gripal.
  2. B) Pneumonia afebril do lactente.
  3. C) Bronquiolite viral aguda.
  4. D) Insuficiência cardíaca congestiva.

Pérola Clínica

Lactente < 6 meses, prematuro, IVAS prévia + desconforto respiratório, sibilos e hipoxemia → Bronquiolite viral aguda.

Resumo-Chave

A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, especialmente prematuros. O quadro clínico típico inclui pródromos de IVAS, seguido por desconforto respiratório, taquipneia, sibilos e hipoxemia, como descrito no caso.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum e sazonal que afeta principalmente lactentes e crianças pequenas, sendo a principal causa de hospitalização por doença respiratória em menores de 1 ano. Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas (bronquíolos), levando a desconforto respiratório. A prematuridade é um fator de risco importante para formas mais graves da doença. A fisiopatologia envolve a infecção viral (mais comumente pelo Vírus Sincicial Respiratório - VSR), que causa necrose do epitélio bronquiolar, edema, produção excessiva de muco e acúmulo de detritos celulares, resultando em obstrução das vias aéreas e aprisionamento de ar. O diagnóstico é clínico, baseado na história de pródromos de infecção de vias aéreas superiores (tosse, coriza) seguidos por sinais de desconforto respiratório, taquipneia, sibilos e, por vezes, crepitações. O tratamento é principalmente de suporte, incluindo oxigenoterapia para hipoxemia, hidratação adequada e aspiração de secreções nasais. Não há tratamento antiviral específico ou broncodilatadores rotineiramente recomendados. O prognóstico é geralmente bom, mas lactentes prematuros ou com comorbidades podem necessitar de internação e suporte ventilatório. É crucial monitorar sinais de gravidade como hipoxemia persistente e exaustão respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para bronquiolite viral aguda grave em lactentes?

Fatores de risco incluem prematuridade, idade inferior a 3 meses, doença cardíaca congênita, doença pulmonar crônica, imunodeficiência e exposição à fumaça de cigarro.

Qual o agente etiológico mais comum da bronquiolite viral aguda?

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais comum, responsável por 50-80% dos casos de bronquiolite viral aguda.

Como diferenciar bronquiolite de pneumonia em lactentes?

A bronquiolite é caracterizada por sibilos difusos e sinais de obstrução de pequenas vias aéreas, enquanto a pneumonia geralmente apresenta crepitações localizadas, febre mais alta e consolidação radiográfica. No entanto, podem coexistir.

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