SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um lactente de 6 meses de idade compareceu ao pronto atendimento levado pelos pais, apresentando coriza, espirros, lacrimejamento e febre baixa. Foi atendido pelo médico plantonista e liberado com sintomáticos, tendo o diagnóstico de resfriado comum. Três dias depois, os pais retornaram ao serviço de saúde e relataram que a criança teve remissão da febre, porém evoluiu com taquidispneia e tosse intensa. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, com Tax = 36.9 ºC, FC = 130 bpm, FR = 54 irpm, SatO2 = 89%, AR = retração de fúrcula esternal e discreta tiragem subcostal, com sibilos expiratórios difusos. Os pais informaram que tiveram dor de garganta e tosse na semana anterior. Negam história de asma ou dermatite atópica. A caderneta vacinal da criança encontra-se em dia, incluindo as vacinas do sexto mês. Quanto a esse caso clínico, assinale a alternativa correta.
Lactente <1 ano com taquidispneia, sibilos e SatO2 <90-92% → Bronquiolite grave, indicação de internação e oxigenioterapia.
O quadro clínico de um lactente com coriza, tosse, taquidispneia, sibilos e saturação de oxigênio de 89% é altamente sugestivo de bronquiolite viral aguda grave. A hipoxemia é um critério de internação e a oxigenioterapia é a principal medida de suporte, visando manter a saturação acima de 90-92%.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, especialmente nos primeiros dois anos de vida, com pico de incidência entre 2 e 6 meses. É a principal causa de hospitalização por doença respiratória em crianças pequenas. A etiologia mais comum é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), mas outros vírus também podem estar envolvidos. A doença é caracterizada por inflamação e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando a edema, hipersecreção de muco e obstrução das pequenas vias aéreas. O quadro clínico típico inicia-se com sintomas de infecção de vias aéreas superiores (coriza, espirros, tosse, febre baixa), evoluindo para desconforto respiratório (taquipneia, tiragem, sibilos expiratórios, crepitações) e hipoxemia. O diagnóstico é essencialmente clínico e epidemiológico, não sendo rotineiramente necessários exames laboratoriais ou de imagem para casos típicos. A avaliação da saturação de oxigênio é crucial para determinar a gravidade e a necessidade de internação. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte, com foco na manutenção da oxigenação e hidratação. A oxigenioterapia é a principal intervenção para lactentes com hipoxemia (SatO2 <90-92%). Não há evidências consistentes para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja suspeita de coinfecção bacteriana. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns lactentes podem apresentar sibilância recorrente na infância.
O principal agente etiológico da bronquiolite viral aguda é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável pela maioria dos casos. Outros vírus como rinovírus, metapneumovírus humano e adenovírus também podem causar a doença.
Critérios de internação incluem hipoxemia (SatO2 <90-92% em ar ambiente), desconforto respiratório moderado a grave, apneia, desidratação, incapacidade de manter hidratação oral e idade inferior a 3 meses ou com comorbidades significativas.
A ausência de febre não exclui uma doença infectocontagiosa. Muitos quadros virais, como a bronquiolite, podem cursar com febre baixa ou ausente, especialmente na fase de piora respiratória, onde a febre inicial pode já ter remitido.
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