UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Menino, 3m, é internado na Emergência com diagnóstico de bronquiolite viral aguda. Exame físico: FR= 68 rpm, FC= 168 bpm, oximetria (ar ambiente)= 90%, choroso, reativo, com retração subcostal, Pulmões: murmúrio vesicular simétrico, com sibilos difusos. A OFERTA DE OXIGÊNIO DEVE SER ESTABELECIDA POR:
Bronquiolite com FR↑, FC↑, SatO2↓ (<92%) e desconforto → Cânula Nasal de Alto Fluxo (CNAF).
Em lactentes com bronquiolite viral aguda e sinais de desconforto respiratório moderado a grave (taquipneia, taquicardia, hipoxemia), a cânula nasal de alto fluxo (CNAF) é a modalidade de oxigenoterapia preferencial, pois oferece suporte respiratório e melhora a oxigenação e o trabalho respiratório.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, afetando predominantemente crianças menores de 2 anos. É causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e se manifesta com rinorreia, tosse, febre baixa, e progressão para taquipneia, sibilância e desconforto respiratório. A doença é autolimitada, mas pode levar à hospitalização devido à hipoxemia e dificuldade respiratória. A fisiopatologia envolve inflamação e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, resultando em edema, produção de muco e formação de plugs celulares, que obstruem as pequenas vias aéreas. Isso leva a aprisionamento de ar, atelectasias e desequilíbrio ventilação-perfusão, culminando em hipoxemia. O diagnóstico é clínico, baseado na idade, sazonalidade e achados do exame físico. O tratamento é principalmente de suporte, com foco na manutenção da hidratação e oxigenação. A oxigenoterapia é a intervenção mais importante para hipoxemia. A cânula nasal de alto fluxo (CNAF) tem se mostrado eficaz, fornecendo oxigênio aquecido e umidificado com um fluxo elevado, que gera uma pressão positiva nas vias aéreas e reduz o trabalho respiratório. É preferível a outros métodos de baixo fluxo em casos de desconforto moderado a grave, podendo reduzir a necessidade de ventilação mecânica invasiva.
A oxigenoterapia é indicada quando a saturação de oxigênio periférica (SatO2) cai abaixo de 90-92% em ar ambiente, ou na presença de sinais de desconforto respiratório significativo.
A CNAF oferece oxigênio aquecido e umidificado, gera uma pressão positiva nas vias aéreas (CPAP), reduz o espaço morto e melhora a depuração mucociliar, diminuindo o trabalho respiratório e a necessidade de intubação.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, tiragem subcostal e intercostal, batimento de asa de nariz, cianose, SatO2 < 90-92%, letargia e dificuldade para se alimentar.
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