AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2018
Lactente de cinco meses chega ao setor de emergência com quadro de dificuldade respiratória que se iniciou há três dias e pior nas últimas 12 horas. Apresenta ausculta pulmonar com estertores crepitantes difusos, raros sibilos expiratórios, ausculta cardíaca normal. Saturação em oximetria de pulso em ar ambiente de 86%. Raio X de tórax com infiltrado peribrônquico bilateral, hiperinsuflação difusa. Ausculta cardíaca sem alterações. Afebril no momento. Sobre esta doença, assinale as alternativas que se encontram corretas. I - O uso rotineiro de nebulização com solução salina hipertônica diminui a gravidade e taxa de internação; II - O uso de corticosteróides sistêmicos está indicado nos pacientes com história de atopia; III - Pode-se tentar um teste terapêutico com beta- 2 adrenérgico inalatório; IV - Deve ser mantido em jejum até melhora da dificuldade respiratória.
Bronquiolite: Beta-2 agonista pode ser tentado como teste terapêutico; corticoide e salina hipertônica não são rotina.
Em lactentes com bronquiolite, a conduta é primariamente de suporte. Embora os broncodilatadores não sejam rotineiramente recomendados, um teste terapêutico pode ser considerado em casos selecionados, descontinuando se não houver melhora clínica. Corticosteroides e solução salina hipertônica não são indicados de rotina.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que afeta as pequenas vias aéreas. O quadro clínico é caracterizado por dificuldade respiratória, sibilância e crepitações. O diagnóstico é clínico, e o tratamento é primariamente de suporte, visando manter a oxigenação e hidratação adequadas. É fundamental que residentes e estudantes de medicina compreendam que a maioria das terapias farmacológicas, como corticosteroides, antibióticos e nebulização com solução salina hipertônica, não são rotineiramente recomendadas devido à falta de evidências de benefício e potenciais efeitos adversos. Um teste terapêutico com broncodilatadores pode ser tentado, mas deve ser descontinuado se não houver resposta clínica clara.
Clinicamente, observa-se taquipneia, sibilância, crepitações, tiragem intercostal e batimento de asas nasais. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação pulmonar, espessamento peribrônquico e, por vezes, atelectasias ou infiltrados.
O uso de beta-2 adrenérgicos pode ser considerado como um teste terapêutico em lactentes com bronquiolite, especialmente aqueles com histórico de atopia ou resposta prévia a broncodilatadores. Se não houver melhora clínica significativa, a medicação deve ser suspensa.
As medidas de suporte incluem hidratação adequada (oral ou intravenosa), oxigenoterapia para manter a saturação acima de 90-92%, aspiração de vias aéreas superiores se necessário e monitorização contínua. A alimentação deve ser mantida se o lactente conseguir se alimentar sem risco de aspiração.
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