IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Lactente de 6 meses, 7 kg de peso, é trazida pela avó com relato de cansaço. A lactente é criada pela avó desde o nascimento, pois sua mãe faleceu no parto. Avó é tabagista. Ao exame físico, a lactente apresenta desconforto respiratório leve, sem tiragem intercostal; frequência respiratória de 50 irpm, saturação de O₂ de 98% e presença de sibilos esparsos à ausculta pulmonar. O diagnóstico mais provável e a abordagem correta são:
1º episódio sibilância < 2 anos + Pródromo viral = Bronquiolite Viral Aguda.
A BVA é inflamação dos bronquíolos por vírus (VSR). Embora o suporte seja a base, a prova terapêutica com broncodilatador é frequentemente testada em provas.
A Bronquiolite Viral Aguda é a principal causa de hospitalização em lactentes no primeiro ano de vida. O manejo foca na estabilidade respiratória e hidratação, com debates contínuos sobre a eficácia de broncodilatadores e solução salina hipertônica. Embora o VSR seja o agente mais comum, outros vírus como Rinovírus e Metapneumovírus também desempenham papel importante. A prevenção em grupos de alto risco é feita com o anticorpo monoclonal Palivizumabe, seguindo critérios específicos de indicação.
O diagnóstico da Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é essencialmente clínico, baseado na história de um lactente (geralmente menor de 24 meses) que apresenta um pródromo de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse, febre baixa) seguido pelo primeiro episódio de sibilância e/ou estertores finos. O exame físico revela sinais de obstrução de vias aéreas inferiores, como taquipneia, tiragens e tempo expiratório prolongado. Exames de imagem, como o raio-X de tórax, não são recomendados rotineiramente, sendo reservados para casos graves ou quando há dúvida diagnóstica, mostrando tipicamente hiperinsuflação pulmonar e atelectasias laminares. A identificação do agente etiológico, como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), pode ser feita por painel viral, mas raramente altera a conduta inicial.
O uso de broncodilatadores, como o salbutamol, na BVA permanece um dos temas mais debatidos na pediatria. As diretrizes internacionais mais recentes recomendam contra o uso rotineiro de beta-2 agonistas, baseando-se em evidências de que eles não reduzem a taxa de hospitalização ou o tempo de internação. No entanto, muitas práticas clínicas e questões de prova ainda consideram a realização de uma 'prova terapêutica' com salbutamol inalatório. Se houver melhora clínica objetiva (redução da frequência respiratória ou do esforço), o medicamento pode ser mantido. Caso contrário, deve ser descontinuado para evitar efeitos colaterais como taquicardia e tremores. Essa abordagem tenta identificar um subgrupo de lactentes com componente de hiper-reatividade brônquica associado.
A decisão de internar um lactente com bronquiolite baseia-se na gravidade do desconforto respiratório e na capacidade de manter a oxigenação e hidratação. Os critérios principais incluem: saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 90-92% em ar ambiente, frequência respiratória muito elevada (geralmente > 60-70 irpm), presença de apneias relatadas ou observadas, e incapacidade de manter hidratação oral adequada devido ao esforço respiratório. Além disso, fatores sociais e comorbidades, como prematuridade, doença pulmonar crônica ou cardiopatias congênitas, baixam o limiar para internação. No hospital, o tratamento é de suporte, incluindo oxigenioterapia (se necessário), hidratação venosa ou por sonda e aspiração de vias aéreas superiores.
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