UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024
Uma criança com 5 meses de idade é atendida no Pronto Socorro por ter iniciado, há 3 dias, quadro de tosse produtiva e desconforto respiratório progressivo nas últimas 24 horas. A mãe relata que a criança nasceu prematura de 29 semanas, tendo permanecido internada por 40 dias, vacinação em dia. A mãe informa, ainda, que a lactente não está́ conseguindo sugar o seio materno. Ao exame clínico observa-se: temperatura axilar = 38,8 oC; frequência respiratória (FR) = 65 irpm; frequência cardíaca (FC) = 155 bpm; tiragem intercostal e retração de fúrcula; sibilos expiratórios difusos; saturação de oxigênio = 96%. A radiografia mostra hiperinsuflação pulmonar, sem condensações. Nesse caso clínico, o diagnóstico e conduta terapêutica recomendada são, respectivamente:
Lactente <6 meses, prematuro, FR >60, tiragem, sibilos, dificuldade alimentar → Bronquiolite grave, internação imediata.
O quadro clínico de tosse, desconforto respiratório, taquipneia, tiragem, sibilos e hiperinsuflação pulmonar em um lactente de 5 meses, especialmente com histórico de prematuridade, é altamente sugestivo de bronquiolite. A dificuldade de sugar e os sinais de desconforto respiratório moderado a grave indicam a necessidade de internação hospitalar para suporte.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, especialmente nos primeiros 2 anos de vida, com pico de incidência entre 2 e 6 meses. É causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Prematuridade é um fator de risco importante para doença grave. O diagnóstico é clínico, baseado em pródromos de infecção de via aérea superior, seguidos por tosse, taquipneia, tiragem, sibilos e crepitações. A radiografia de tórax tipicamente mostra hiperinsuflação, sem condensações. A dificuldade de alimentação, desidratação e sinais de desconforto respiratório progressivo são indicativos de gravidade. O tratamento da bronquiolite é essencialmente de suporte, com foco na manutenção da oxigenação e hidratação. Oxigenoterapia, aspiração de secreções e suporte nutricional são pilares. Broncodilatadores, corticoides e antibióticos não são recomendados de rotina. A internação hospitalar é indicada para lactentes com sinais de gravidade, como FR > 60 irpm, tiragem importante, dificuldade para se alimentar, apneia ou hipoxemia.
Sinais de gravidade incluem taquipneia (FR > 60 irpm), tiragem intercostal e retração de fúrcula, cianose, apneia, letargia, desidratação e dificuldade para se alimentar, indicando a necessidade de internação.
Prematuros têm vias aéreas menores e imaturidade pulmonar e imunológica, o que os torna mais suscetíveis a infecções respiratórias graves, como a bronquiolite, com maior risco de complicações e necessidade de internação.
A conduta é de suporte, incluindo oxigenoterapia se saturação < 90-92%, hidratação adequada, aspiração de vias aéreas superiores e monitorização. Broncodilatadores e corticoides não são recomendados rotineiramente. A internação é essencial.
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