ENARE/ENAMED — Prova 2023
Um bebê de 6 meses é levado ao hospital por tosse, cansaço para respirar e respiração mais “rápida”. Nega ter tido febre, mas teve, logo antes do quadro atual, coriza leve e um pouco de obstrução nasal. Ao exame físico, o paciente apresenta taquipneia, retrações subcostais discretas e sibilos difusos à ausculta. Com base no diagnóstico provável de bronquiolite viral aguda (BVA), informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.( ) A ausência de febre não é compatível com o diagnóstico de BVA.( ) O aumento da frequência respiratória é um sinal importante e traduz a resposta do organismo ao acometimento pulmonar pelo agente infeccioso, em uma tentativa de compensar os mecanismos geradores de prejuízo na mecânica pulmonar e na troca gasosa.( ) Crepitações inspiratórias disseminadas por todos os campos pulmonares não ocorrem na BVA e, se presentes, indicam diagnóstico alternativo.( ) A radiografia de tórax pode ser útil nos casos graves, e os principais achados são hiperinsuflação torácica difusa, hipertransparência, retificação do diafragma e até broncograma aéreo com um infiltrado de padrão intersticial.( ) Na grande maioria dos pacientes, a evolução é benigna, e o processo evolui para a cura sem a necessidade de intervenção.
BVA: febre inconstante, taquipneia/sibilos/retrações comuns, crepitações podem ocorrer, RX útil em casos graves (hiperinsuflação), evolução benigna na maioria.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, caracterizada por obstrução de pequenas vias aéreas. A febre é inconstante, e a taquipneia, sibilos e retrações são achados típicos. A radiografia de tórax é reservada para casos graves ou atípicos.
A bronquiolite viral aguda (BVA) é a causa mais comum de infecção do trato respiratório inferior em lactentes e crianças pequenas, geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a edema, necrose epitelial e hipersecreção de muco. A epidemiologia mostra picos sazonais, sendo mais grave em prematuros e crianças com comorbidades. O diagnóstico da BVA é predominantemente clínico, baseado na história de pródromos virais (coriza, tosse leve) seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e retrações. A febre é um achado inconstante e não exclui o diagnóstico. O aumento da frequência respiratória é um mecanismo compensatório importante. Crepitações inspiratórias podem, sim, ocorrer devido ao acúmulo de secreções e edema nas vias aéreas. A radiografia de tórax não é rotineiramente indicada, mas em casos graves ou atípicos, pode revelar hiperinsuflação, hipertransparência e retificação diafragmática, e ocasionalmente infiltrado intersticial ou broncograma aéreo. A evolução da BVA é benigna na grande maioria dos pacientes, com resolução espontânea em 1 a 2 semanas, sem necessidade de intervenções específicas além do suporte. O tratamento é principalmente de suporte, incluindo hidratação, oxigenoterapia se necessário e aspiração de vias aéreas. Não há evidências para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticosteroides ou antibióticos, a menos que haja indicações específicas.
Os sinais e sintomas clássicos incluem pródromos de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse leve), seguidos por tosse progressiva, taquipneia, sibilância, retrações subcostais e intercostais, e, por vezes, crepitações à ausculta pulmonar.
Não, a febre não é um achado obrigatório na bronquiolite viral aguda. Muitos pacientes podem apresentar ausência de febre ou febre de baixo grau, especialmente no início do quadro, tornando a afirmação de que a ausência de febre não é compatível com BVA falsa.
A radiografia de tórax não é rotineiramente indicada para o diagnóstico de bronquiolite viral aguda, que é clínico. É reservada para casos graves, atípicos, ou quando há suspeita de complicações como pneumonia ou atelectasia.
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