Bronquiolite Viral Aguda em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 5 meses de idade, previamente hígido, há 3 dias iniciou quadro de tosse e coriza, com progressão há um dia para dificuldade respiratória, sem febre. Ao exame: BEG; corado; ausculta pulmonar com sibilos difusos e estertores grossos bilaterais; tiragem subdiafragmática e de fúrcula; frequência respiratória = 48 movimentos/minuto; saturação = 92% em ar ambiente, frequência cardíaca = 140/min; sem outras alterações. Com relação ao quadro descrito e a imagem radiológica correspondente, podemos afirmar que se trata de: (VER IMAGEM).

Alternativas

  1. A) Pneumonia em ápice e base direita e o tratamento adequado é associação decefalosporina de 2ª geração ou penicilina + macrolídeo.
  2. B) Bronquiolite, devendo-se prescrever hidratação adequada e inalação com beta-2-agonista, se houver responsivo a teste.
  3. C) Aspiração de corpo estranho indicada pela hiperinsuflação pulmonar observada naradiografia simples de tórax.
  4. D) Crise aguda de asma, devendo-se iniciar corticoide sistêmico e beta-2-agonista inalatório, seguido de sulfato de magnésio se manutenção do desconforto respiratório.

Pérola Clínica

Lactente < 1 ano com pródromos virais + sibilância + desconforto respiratório = Bronquiolite.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um lactente de 5 meses com pródromos virais (tosse, coriza), seguido de sibilância difusa, estertores grossos e desconforto respiratório (tiragem, FR elevada, saturação baixa) é clássico de bronquiolite viral aguda. O tratamento é de suporte, com hidratação e oxigênio, e beta-2-agonistas podem ser tentados se houver resposta.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes e crianças pequenas, sendo a principal causa de internação hospitalar por doença respiratória em menores de 1 ano. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente, mas outros vírus como rinovírus, parainfluenza e adenovírus também podem causá-la. A doença caracteriza-se pela inflamação e edema das pequenas vias aéreas (bronquíolos), levando a obstrução e aprisionamento de ar. Clinicamente, a bronquiolite inicia-se com sintomas de infecção de vias aéreas superiores (tosse, coriza) que evoluem para desconforto respiratório, taquipneia, sibilância e estertores. Ao exame físico, podem-se observar tiragens, batimento de asa de nariz e, em casos graves, cianose e apneia. A saturação de oxigênio é um indicador importante da gravidade. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a radiografia de tórax, embora possa mostrar hiperinsuflação, não é rotineiramente indicada, exceto para descartar outras condições ou complicações. O tratamento da bronquiolite é fundamentalmente de suporte. Isso inclui garantir hidratação adequada, oferecer oxigenoterapia se a saturação estiver abaixo de 90-92%, e realizar aspiração de secreções nasais para facilitar a respiração. O uso de broncodilatadores (beta-2-agonistas), corticoides, antibióticos ou antivirais não é recomendado de rotina, pois a maioria dos estudos não demonstra benefício significativo. A internação é indicada para casos com desconforto respiratório moderado a grave, hipoxemia persistente ou dificuldade de alimentação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas típicos da bronquiolite em lactentes?

A bronquiolite em lactentes geralmente começa com pródromos de infecção de vias aéreas superiores (tosse, coriza), seguidos por sibilância, taquipneia, tiragem (subcostal, intercostal, de fúrcula) e, em casos mais graves, batimento de asa de nariz e cianose.

Qual o tratamento inicial para um lactente com bronquiolite?

O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte, incluindo hidratação adequada, oxigenoterapia para manter a saturação acima de 90-92%, e aspiração de secreções nasais. Beta-2-agonistas podem ser testados, mas não são rotineiramente recomendados devido à evidência limitada de benefício.

Como a radiografia de tórax se apresenta na bronquiolite?

A radiografia de tórax na bronquiolite tipicamente mostra sinais de hiperinsuflação pulmonar (retificação do diafragma, aumento dos espaços intercostais) e, por vezes, infiltrados peribrônquicos ou atelectasias laminares, mas não é necessária para o diagnóstico na maioria dos casos.

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