Bronquiolite em Lactentes: Manejo e Condutas Essenciais

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Um lactente de 5 meses, previamente hígido, nascido a termo, com peso adequado, sem intercorrências no período neonatal e em aleitamento materno exclusivo, é levado por seus pais ao pronto-socorro. Mãe relata que, há 3 dias, o filho iniciou quadro de coriza nasal, espirros e febre (máx. Tax 38,5ºC). Com o passar dos dias, a tosse intensificou-se, e o paciente tornou-se irritado, com dificuldade de mamar em razão da taquidispneia. A mãe relata que o filho está piorando da falta de ar e agora parece estar com “chiado no peito”.Ao exame físico: lactente agitado, taquidispneico (FR > 70 ipm), tiragem subcostal e batimento de aleta nasal, além de sibilos à ausculta. Pais negam episódios prévios de sibilância e história familiar de asma ou de dermatite.A respeito desse caso clínico, julgue como verdadeiro ou falso as afirmações a seguir.I. Não há evidências do benefício da administração de corticoide sistêmico em pacientes como o do caso clínico apresentado.II. É muito provável que a radiografia de tórax venha com uma condensação em lobo inferior esquerdo.III. A nutrição por via oral deveria ser suspensa até melhora da taquidispneia.IV. Os broncodilatadores são muito usados na prática clínica, mas o real benefício deles nessa faixa etária ainda carece de comprovação científica.A sequência correta de cima para baixo é:

Alternativas

  1. A) V - F – V – F.
  2. B) V – F – V – V.
  3. C) F – F – V – V.
  4. D) F – F - V – V.
  5. E) V – F – F - F.

Pérola Clínica

Bronquiolite grave: suporte respiratório e hidratação; corticoides e broncodilatadores não são rotineiramente indicados.

Resumo-Chave

A bronquiolite viral em lactentes é uma condição autolimitada, mas pode causar desconforto respiratório grave. O manejo é primariamente de suporte, incluindo hidratação e suporte respiratório. Corticoides e broncodilatadores não são recomendados de rotina devido à falta de evidências de benefício consistente. A nutrição oral deve ser avaliada cuidadosamente em casos de taquidispneia para evitar aspiração.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que afeta as pequenas vias aéreas. Caracteriza-se por coriza, tosse, febre baixa e, progressivamente, taquipneia, sibilância e desconforto respiratório. O diagnóstico é clínico, e a radiografia de tórax não é rotineiramente indicada, geralmente mostrando hiperinsuflação ou atelectasias laminares, e não condensações. O manejo da bronquiolite é essencialmente de suporte, visando manter a oxigenação e a hidratação adequadas. Isso inclui oxigenoterapia para saturação < 90-92%, aspiração de vias aéreas superiores e monitorização. A nutrição por via oral (pela boca) deve ser suspensa em lactentes com taquipneia significativa (FR > 60-70 ipm) devido ao risco de aspiração, sendo a hidratação intravenosa ou nutrição enteral por sonda nasogástrica alternativas. É um erro comum na prática clínica o uso indiscriminado de corticoides sistêmicos e broncodilatadores. As evidências científicas atuais não suportam o benefício rotineiro dessas medicações na bronquiolite viral, não alterando o curso da doença ou a necessidade de hospitalização. A educação dos pais e a vigilância dos sinais de piora são cruciais para o bom prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de gravidade na bronquiolite?

Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada (FR > 60-70 ipm), tiragem subcostal e intercostal, batimento de aleta nasal, cianose, apneia, letargia e dificuldade para se alimentar.

Corticoides e broncodilatadores são eficazes para bronquiolite?

Não, a maioria das diretrizes não recomenda o uso rotineiro de corticoides ou broncodilatadores para bronquiolite viral em lactentes, pois estudos não demonstraram benefício consistente na redução da gravidade ou duração da doença.

Quando a nutrição oral deve ser suspensa em lactentes com bronquiolite?

A nutrição oral (por via da boca) deve ser suspensa em lactentes com desconforto respiratório significativo (FR > 60 ipm) devido ao alto risco de aspiração. Nesses casos, a hidratação intravenosa ou nutrição enteral por sonda nasogástrica pode ser necessária.

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