SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um lactente de sete meses de vida, previamente saudável, foi levado ao pronto atendimento por apresentar tosse há três dias, piora progressiva da respiração e queda da aceitação alimentar. Ao exame físico, o paciente mostrou-se alerta, porém cansado, FC = 156 bpm, FR = 58 irpm, SpO₂ = 92%, temperatura = 37,6°C. Ausculta pulmonar com sibilos difusos e tiragens intercostais leves. O profissional identificou padrão compatível com bronquiolite viral aguda. Assinale a alternativa que corresponde à principal complicação que requer vigilância na bronquiolite aguda moderada a grave:
Lactente com bronquiolite moderada/grave → Vigilância contínua para Apneia (especialmente em < 2 meses ou prematuros).
A bronquiolite viral aguda (BVA) é caracterizada por obstrução inflamatória das pequenas vias aéreas. A apneia é uma complicação crítica e precoce, muitas vezes precedendo o desconforto respiratório franco em lactentes jovens.
A bronquiolite viral aguda é a causa mais comum de hospitalização em lactentes no primeiro ano de vida. A fisiopatologia envolve a necrose do epitélio respiratório, edema de mucosa e acúmulo de debris celulares e muco, levando ao aprisionamento aéreo e atelectasias. Embora o gabarito aponte 'Pneumotórax' (possivelmente devido a um erro de transcrição na questão original ou contexto específico de ventilação mecânica), na prática clínica e nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Academia Americana de Pediatria, a apneia é a complicação sistêmica mais temida e frequente em lactentes pequenos com quadro moderado a grave. O monitoramento da saturação e da frequência respiratória é vital para detectar precocemente a exaustão respiratória.
A apneia na bronquiolite viral aguda, especialmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), ocorre por mecanismos centrais e obstrutivos. Em lactentes jovens, o vírus pode afetar o controle respiratório no tronco cerebral ou induzir reflexos quimiorreceptores imaturos. Além disso, a fadiga muscular decorrente do aumento do trabalho respiratório e a obstrução por muco nas vias aéreas superiores e inferiores contribuem para episódios de pausa respiratória, sendo um marcador de gravidade que exige monitorização hospitalar.
Os principais fatores de risco para evolução grave e necessidade de internação incluem: idade inferior a 3 meses, prematuridade (especialmente < 32-35 semanas), doença pulmonar crônica da prematuridade, cardiopatias congênitas hemodinamicamente significativas e imunodeficiências. Nestes grupos, o risco de insuficiência respiratória aguda e apneia é significativamente maior, justificando uma vigilância mais rigorosa e, em casos selecionados, o uso de profilaxia com palivizumabe.
O diagnóstico da bronquiolite viral aguda é eminentemente clínico, baseado na história de pródromos catarrais seguidos de taquipneia, sibilos e sinais de desconforto respiratório em crianças menores de 2 anos. Exames de imagem e laboratoriais não são rotineiros. O manejo foca no suporte: manter saturação de O2 acima de 90-92%, garantir hidratação adequada (via oral ou enteral se necessário) e realizar a limpeza das vias aéreas superiores com solução salina.
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