Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2016
Durante o outono na cidade de São Paulo, lactente previamente hígido, de três meses de idade, apresentou um pico febril de 38⁰C há três dias e vem evoluindo com coriza e tosse. Há um dia, a mãe refere dificuldade para mamar e cansaço. Ao exame físico, encontra-se com frequência respiratória de 70 ipm, saturação de 89% em ar ambiente e levemente desidratado. Podemos afirmar que:
Bronquiolite grave com desidratação → Soro isotônico para manutenção, risco de SIADH.
Em lactentes com bronquiolite grave, especialmente com sinais de desidratação e risco de SIADH, a manutenção hídrica deve ser feita com soro isotônico para evitar hiponatremia dilucional. A oxigenioterapia é obrigatória com saturação < 90%.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, especialmente no outono/inverno, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o agente mais comum. Caracteriza-se por inflamação e edema das pequenas vias aéreas, levando a obstrução e desconforto respiratório. A doença é autolimitada, mas pode evoluir para quadros graves em lactentes jovens, prematuros ou com comorbidades. O diagnóstico é clínico, baseado na idade (geralmente < 2 anos), pródromos virais e sinais de desconforto respiratório (taquipneia, tiragens, sibilos, crepitantes). A oximetria de pulso é fundamental para avaliar a gravidade. O manejo é primariamente de suporte, incluindo oxigenioterapia para saturação < 90%, hidratação adequada e aspiração de vias aéreas superiores. Em casos de bronquiolite grave, a hidratação deve ser cuidadosamente monitorada, preferindo-se soro isotônico para manutenção devido ao risco de SIADH e hiponatremia. Não há evidências robustas para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja suspeita de coinfecção bacteriana. A maioria dos casos pode ser tratada ambulatorialmente, mas a internação é indicada para lactentes com hipoxemia, desidratação, apneia ou dificuldade respiratória grave.
Os critérios incluem saturação de oxigênio < 90% em ar ambiente, frequência respiratória elevada com desconforto, dificuldade para alimentar, apneia, desidratação e idade inferior a 3 meses.
Em bronquiolite grave, há risco aumentado de Síndrome de Secreção Inapropriada de ADH (SIADH) devido ao estresse respiratório e inflamação. O uso de soro hipotônico pode precipitar hiponatremia dilucional, enquanto o isotônico minimiza esse risco.
A maioria dos estudos não demonstra benefício significativo do uso rotineiro de broncodilatadores (beta2-adrenérgicos) ou corticoides sistêmicos na bronquiolite viral aguda. A terapia é primariamente de suporte, com oxigenioterapia e hidratação.
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