UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Lactente do sexo masculino, previamente hígido, com quatro meses de vida, é levado ao PS com relato de coriza clara e tosse, com início há 48 horas e que evoluiu com surgimento de febre (38,8°C), dificuldade respiratória e recusa alimentar. Ao exame físico, o paciente apresenta-se ativo, reativo, taquipneico com retrações subcostais, batimentos de asas de nariz, acianótico, afebril e sibilos difusos; FR = 70 irpm; FC = 154 bpm; SatO2 = 91%. O raio X de tórax mostrou hiperinsuflação pulmonar. A conduta mais adequada deverá ser a prescrição de:
Bronquiolite viral em lactente → Oxigenoterapia e aspiração de VAS são pilares do suporte.
O quadro clínico de coriza, tosse, febre, dificuldade respiratória, taquipneia, retrações, batimentos de asas de nariz, sibilos difusos e hiperinsuflação pulmonar em um lactente de 4 meses é altamente sugestivo de bronquiolite viral aguda. O tratamento é primariamente de suporte, focando na manutenção da oxigenação e desobstrução das vias aéreas.
A bronquiolite viral aguda é a infecção respiratória mais comum do trato respiratório inferior em lactentes e crianças pequenas, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. Caracteriza-se por inflamação e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando a edema, produção de muco e obstrução das vias aéreas, resultando em sibilância e dificuldade respiratória. É uma condição de alta prevalência em pediatria, especialmente nos meses de inverno. O diagnóstico da bronquiolite é clínico, baseado na história de pródromos virais seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e retrações. O exame físico revela sinais de desconforto respiratório e ausculta com sibilos e crepitantes. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação e infiltrados peribrônquicos, mas não é essencial para o diagnóstico de rotina. A diferenciação de outras causas de sibilância em lactentes é importante, mas a apresentação típica geralmente é suficiente. O tratamento da bronquiolite é essencialmente de suporte, visando manter a oxigenação e a hidratação. As principais medidas incluem oxigenoterapia para hipoxemia (SatO2 < 90-92%), aspiração de vias aéreas superiores para remover secreções e facilitar a respiração, e hidratação adequada (oral ou intravenosa). Não há evidências para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja complicações específicas. A prevenção com palivizumab é reservada para grupos de alto risco.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada (FR > 60 irpm), retrações subcostais e intercostais intensas, batimentos de asas de nariz, cianose, SatO2 < 90-92% em ar ambiente, apneia e recusa alimentar, indicando necessidade de internação e suporte.
A oxigenoterapia é indicada para manter a saturação de oxigênio acima de 90-92%, corrigindo a hipoxemia causada pela inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas. É uma medida fundamental de suporte respiratório.
A internação é indicada para lactentes com sinais de gravidade como hipoxemia persistente, dificuldade respiratória moderada a grave, desidratação, apneia, idade inferior a 3 meses ou presença de comorbidades significativas.
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