SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente de 9 meses de idade foi levado à emergência por seus pais, os quais relataram que, há uma semana, o filho iniciou com quadro de coriza nasal e tosse. Porém, na última noite, iniciou com febre de 38 °C e parecia estar cansado, com a respiração ofegante; inclusive, não está conseguindo mamar. Faz acompanhamento com pediatra e tem todas as vacinas em dia. O paciente tem um irmão de 6 anos de idade, que é asmático, e o pai também tem asma. Ao exame físico, verificaram-se FC = 150 bpm, FR = 80 irpm, SatO2 = 89% em AA e temperatura = 36,5 °C. Observaram-se oroscopia sem petéquias, sem placas, sem lesões, e otoscopia, com membrana timpânica translúcida, sem abaulamento, sem secreção. Ausculta cardíaca BNF, RR, 2t, sem sopro, e ausculta pulmonar MVUD, com sibilos difusos bilateralmente, apresentando tiragem sub e intercostal. Constatou-se também abdome RHA+, depressível; sem megalias, sem fáscies de dor à palpação. A respeito desse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Esse é um caso de bronquiolite, e o principal agente é o vírus sincicial respiratório.
Lactente < 2 anos + pródromos virais + 1º episódio de sibilância = Bronquiolite (VSR principal).
A bronquiolite é a principal causa de hospitalização em lactentes, caracterizada por inflamação das pequenas vias aéreas após infecção viral, sendo o VSR o agente em até 75% dos casos.
A bronquiolite viral aguda representa um desafio na pediatria devido à alta morbidade em lactentes jovens. A fisiopatologia envolve a obstrução inflamatória dos bronquíolos, resultando em desequilíbrio ventilação-perfusão e hipoxemia. O reconhecimento precoce de sinais de gravidade, como frequência respiratória > 60-70 irpm, gemência e cianose, é crucial para a indicação de suporte ventilatório. A prevenção, especialmente em grupos de risco (prematuros e cardiopatas), envolve o uso do palivizumabe durante os meses de circulação viral.
O diagnóstico é eminentemente clínico, definido como o primeiro episódio de sibilância em uma criança com menos de 24 meses de idade, geralmente precedido por sintomas de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse). Achados como taquipneia, tiragens e estertores finos são comuns. Exames de imagem ou laboratoriais não são necessários para casos típicos, sendo reservados para pacientes com evolução atípica ou necessidade de suporte intensivo.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) apresenta um tropismo específico pelo epitélio respiratório inferior, causando necrose celular, edema de mucosa e acúmulo de debris celulares nos bronquíolos. Isso leva à obstrução luminal e ao quadro clássico de aprisionamento aéreo e sibilância. É responsável pela maioria das internações por causas respiratórias em lactentes durante os períodos de sazonalidade.
O pilar do tratamento é o suporte: manutenção da oxigenação (alvo SatO2 >90-92%), hidratação adequada (oral ou venosa se houver desconforto grave) e limpeza nasal com solução salina. O uso de broncodilatadores (salbutamol), adrenalina inalatória ou corticoides sistêmicos não é recomendado de rotina pelas principais diretrizes (AAP e SBP), pois não alteram o curso da doença ou o tempo de internação.
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