INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Um bebê com dois meses de vida, com quadro de coriza, obstrução nasal, febre e tosse há 4 dias, é trazido ao Serviço Médico devido à piora dos sintomas há um dia. Ao exame físico, apresenta-se gemente e com retrações inter e subcostais, e tem murmúrio vesicular diminuído difusamente, com aumento de tempo expiratório e sibilos esparsos; frequência respiratória = 70 irpm; saturação de O₂ = 88% em ar ambiente e frequência cardíaca = 150 bpm. Antecedentes: nascido de parto normal, a termo, sem história de sibilância prévia. Com base no quadro clínico apresentado, a conduta adequada é:
Bronquiolite (1º episódio sibilante < 2 anos) → Suporte (O2 + Hidratação), não usar B2-agonista de rotina.
O tratamento da bronquiolite viral aguda é focado no suporte clínico (oxigenação e hidratação), pois intervenções como broncodilatadores, corticoides e fisioterapia não demonstram benefício consistente.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de internação hospitalar em lactentes menores de um ano, ocorrendo predominantemente nos meses de inverno. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente mais comum. A doença é autolimitada, mas pode evoluir com insuficiência respiratória devido à obstrução das pequenas vias aéreas por edema e secreção. O manejo atual prioriza a 'medicina de mínima intervenção'. Isso significa focar na manutenção da saturação de oxigênio acima de 90-92%, limpeza nasal com soro fisiológico e garantia de hidratação (seja oral, por sonda ou venosa, dependendo da gravidade). A fisioterapia respiratória de rotina é contraindicada por poder aumentar o desconforto e o risco de broncoespasmo em lactentes pequenos. O reconhecimento precoce dos sinais de exaustão respiratória é crucial para o suporte em unidade de terapia intensiva, se necessário.
O diagnóstico da bronquiolite viral aguda é eminentemente clínico. Ele é definido como o primeiro episódio de sibilância em uma criança com menos de 24 meses de idade, geralmente precedido por sintomas de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse, febre baixa). Ao exame físico, o lactente apresenta sinais de esforço respiratório (taquipneia, tiragens), estertores finos e/ou sibilos. Exames de imagem, como radiografia de tórax, não são recomendados rotineiramente, a menos que haja dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações como pneumotórax ou pneumonia bacteriana secundária. A identificação do agente etiológico (geralmente o Vírus Sincicial Respiratório) via painel viral também não costuma alterar o manejo clínico inicial.
Diferente da asma, a fisiopatologia da bronquiolite viral aguda envolve inflamação da via aérea, edema de mucosa, necrose de células epiteliais e acúmulo de debris celulares e muco, e não primariamente o broncoespasmo do músculo liso. Por essa razão, a maioria dos lactentes com bronquiolite não responde clinicamente aos beta-2 agonistas. Grandes metanálises e diretrizes internacionais (como da AAP e SBP) não recomendam o uso rotineiro de salbutamol ou adrenalina inalatória, pois esses medicamentos não reduzem a taxa de internação nem o tempo de permanência hospitalar. Um teste terapêutico pode ser considerado em casos selecionados, mas deve ser interrompido se não houver melhora objetiva.
As indicações de internação hospitalar para lactentes com bronquiolite incluem: sinais de desconforto respiratório moderado a grave (tiragens importantes, batimento de asa de nariz), taquipneia significativa (geralmente FR > 60-70 irpm), saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 90-92% em ar ambiente, episódios de apneia, incapacidade de manter hidratação oral adequada ou ingestão alimentar reduzida (>50%), e presença de comorbidades (prematuridade, cardiopatia congênita ou doença pulmonar crônica). Além disso, fatores sociais e a incapacidade dos cuidadores de monitorar a criança em casa também devem ser considerados na decisão de internar.
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